A História da Guitarra
Por Ricardo 5150:
Segundo os músicos e musicólogos, o termo “guitarra” provavelmente provém da remota palavra grega kithara.
Mas
na língua portuguesa, o uso é completamente diverso. O termo “guitarra”
refere-se exclusivamente à guitarra elétrica e a palavra “violão” é
usado para se referir tanto à guitarra clássica, como à guitarra
acústica, esta segunda com cordas de nylon ou mesmo com cordas de aço,
como no caso do violão folk, ou como num violão ovation.
Acredita-se
que o nome "violão" derive diretamente do termo “viola”, que designa
vários instrumentos portugueses, da qual a viola caipira brasileira é
uma evolução. Embora possua várias diferenças de timbre e de número de
cordas, a viola é muito semelhante em formato ao violão, apenas menor.
Origem
Instrumentos similares aos que hoje chamamos de guitarras existem ao
menos há 5 mil anos. A guitarra parece derivar de outros instrumentos
existentes anteriormente na Ásia Central.
Instrumentos muito similares à
guitarra aparecem em antigos alto-relevos e estátuas descobertas em
Susa, na Pérsia.
A guitarra, em forma muito próxima à guitarra
acústica atual, foi introduzida na Espanha no Século IX, mas não se
conhece com precisão toda a história deste instrumento. No entanto há
duas hipóteses mais prováveis para a introdução da guitarra no ocidente.
A primeira hipótese é que a guitarra seria derivada da chamada khetara
grega, que com o domínio do Império Romano passou a se chamar cítara
romana, e era também denominada de fidícula. Teria chegado à Península
Ibérica por volta do Século I com os romanos.
A segunda hipótese é de
que este instrumento seria derivado do antigo alaúde árabe, nome
originado da palavra al ud, (a madeira), e que teria sido levado para a
Península Ibérica através das invasões muçulmanas.
Durante vários séculos de história a guitarra acústica ganhou diversas
variedades. Há grandes variações em todas as características dos
instrumentos: o tamanho e o formato da caixa de ressonância, o formato e
a quantidade de aberturas frontais, o comprimento do braço, a
quantidade das cordas, a extensão e a forma de afinação.
Certas variedades se desenvolveram separadamente e se tornaram instrumentos específicos.
Foi
Antonio de Torres, um luthier espanhol do século XIX que deu à guitarra
a forma e as dimensões da guitarra clássica atual, a partir do qual,
diversas outras variedades surgiram no século XX (como a guitarra de
jazz, a guitarra folk e a elétrica).
O surgimento da guitarra elétrica
A guitarra elétrica surgiu, independentemente, pela mão de diversas
pessoas nos anos 30.
Inicialmente a eletrificação consistia em usar o
próprio instrumento acústico com um microfone de voz dentro de sua caixa
de ressonância.
Mais tarde esse microfone foi substituído pelo microfone de contato chamado captador ou, em inglês pickup.
Por
nem sempre ser necessária uma caixa de ressonância acústica numa
guitarra eléctrica, surgiram as primeiras guitarras maciças (Fender
Stratocaster e Gibson Les Paul) nas décadas de 1950 e 60. As cordas
passaram a ser metálicas e captadores magnéticos de indução começaram a
ser utilizados.
Corpo e complexidade do instrumento
Toda guitarra, elétrica ou
acústica, é composta basicamente das mesmas partes. A principal
diferença entre elas está no corpo. As figuras abaixo mostram uma
guitarra elétrica e uma acústica, com suas partes indicadas. A
construção do baixo é semelhante à da guitarra elétrica.
Para
informações adicionais, consulte os artigos de cada uma das partes. Para
as diferenças construtivas, consulte os artigos de cada variedade de
guitarra.
1- Mão ou paleta ou headstock
2- Pestana
3- Tarrachas ou cravelhas
4- Trastes
5- Tirante ou Tensor
6- Marcação
7- Braço
8- Tróculo (Junta do braço)
9- Corpo
10- Captadores
11- Potenciometros
12- Cavalete (ou ponte)
13- Protetor de tampo (ou escudo)
14- Fundo
15- Tampo
16- Lateral ou faixas
17- Abertura ou boca
18- Cordas
19- Rastilho
20- Escala
Alavanca e efeitos
Com o surgimento do rock nos anos 50, a guitarra ganhou um design e uma
tecnologia que a estigmatizou como um instrumento-ícone do rock. Isso,
de certa forma, afastou a guitarra de outras práticas musicais vigentes
como a música de concerto mas, por outro lado, foi um instrumento
bastante útil para o músico prático.
O advento da guitarra elétrica fez surgir um aparato de recursos
tecnológicos como a alavanca de trêmolo, a distorção do som, a
modificação do envelope sonoro e uma infinidade de recursos de produção
de ruído.
Com essa gama de processamentos sonoros em tempo real, a
produção sonora da guitarra alcança, através da eletrônica, uma via
indireta, onde som final produzido pelo amplificador tende a ser
completamente diferente o som original produzido pelo instrumento.
A alavanca, é uma parte da guitarra usada para efetuar um efeito chamado
vibrato. Este efeito consiste em alterar a altura das notas de forma
que elas transpacem a idéia de uma onda fluindo.
Este efeito é muito
utilizado em alguns rítimo agitados, porém é principalmente usado em
rítimo de rock.
Afinação
Muitas afinações diferentes são possíveis dependendo da variedade do
instrumento. A mais comum para instrumentos de 6 cordas é a “afinação
padrão” (EADGBe). Note que a guitarra é um instrumento transpositor, ou
seja, um instrumento que, por qualquer razão, tem suas notas anotadas na
partitura em altura diferente daquela que realmente soa. Os
instrumentos que soam como escrito são chamados não transpositores.
Guitarristas que fizeram história
- Chuck Berry
É apontado por muitos como o inventor do Rock and Roll. Enquanto ainda
existem controvérsias sobre quem lançou o primeiro disco de rock, as
primeiras gravações de Chuck Berry, como "Maybellene", de 1955,
sintetizavam totalmente o formato rock and roll, combinando blues com
música country e versos juvenis sobre garotas e carros, com dicção
impecável e diferentes solos de guitarra.
Como exemplo de sua
influência profunda, podemos lembrar das bandas inglesas dos anos 60.
The Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros, regravaram suas
músicas. Os Rolling Stones literalmente basearam seu estilo de tocar
rock 'n' roll no dele. Quando Keith Richards (guitarrista dos Stones)
premiou Berry no Hall da Fama em 1986, disse ter copiado todos os
acordes que ele já tocou.
Chuck Berry teve seis de suas músicas incluidas na Lista das 500
melhores canções de sempre da Revista Rolling Stone, sendo "Johnny B.
Goode" a sétima da lista. Com relação à sua música mais famosa, "Johnny
B. Goode", há, ainda, a curiosidade de ser um dos sons humanos levados
pelas naves Voyager 1 e 2 para o espaço, caso haja contato com seres
extraterrestres.
- Jimi Hendrix
Hendrix é amplamente considerado um dos mais importantes guitarristas da história.
Como
guitarrista, ele se inspirou nas inovações de músicos do blues, tais
como B. B. King, Albert King e T-Bone Walker, assim como nos
guitarristas de R&B (rhythm and blues), tais como Curtis Mayfield.
Jimi Hendrix é considerado por muitos como, o maior guitarrista de todos
os tempos. Ademais, ele ampliou a tradição da guitarra no rock: apesar
de guitarristas anteriores, como Dave Davies (de The Kinks), e Pete
Townshend (de The Who) terem empregado recursos como o "feedback"
(realimentação), distorção e outros efeitos especiais, Hendrix, graças
às suas raízes no blues, na soul-music e no R&B, foi capaz de usar
estes recursos de uma forma que transcendia suas fontes.
Parte do estilo único de Hendrix se deve ao fato dele ter sido um
canhoto que tocava uma guitarra para destros virada ao contrário com
suas cordas invertidas. Embora ele tivesse e usasse diversos modelos de
guitarra durante sua carreira (incluindo uma Gibson Flying V que ele
decorara com motivos psicodélicos), sua guitarra preferida, e que será
sempre associada a ele, era a Fender Stratocaster, ou "Strat". Ele comprou sua primeira Strat por volta de 1965, e usou-as quase constantemente durante o resto de sua vida.
Uma característica da Strat que Hendrix utilizou ao máximo foi a
alavanca de trêmolo, patenteada pela Fender, que o habilitou a
"entortar" notas e acordes inteiros sem que a guitarra saísse da
afinação. O braço relativamente estreito da Strat, de fácil ação, foi
também perfeito para o estilo envolvente de Hendrix e potencializou
enormemente sua grande destreza - como pode ser visto em filmes e fotos,
as mãos de Jimi eram tão grandes que lhe permitiam pressionar todas as
seis cordas com apenas a parte de cima do seu polegar, e ele podia, pelo
que dizem, tocar partes rítmicas e solos simultaneamente.
Hendrix foi também um revolucionário no desenvolvimento da amplificação e
dos efeitos com a guitarra moderna. Sua alta energia no palco e volume
elevado com o qual tocava requeriam amplificadores robustos e potentes.
Durante os primeiros meses de sua turnê inicial ele usou amplificadores
Vox e Fender, mas ele rapidamente descobriu que eles não podiam aguentar
o rigor de um show do Experience. Felizmente ele descobriu o alcance
dos amplificadores de guitarra de alta potência fabricados pelo
engenheiro de áudio inglês Jim Marshall e eles se mostraram perfeitos
para as necessidades de Jimi. Assim como ocorreu com a Strat, Hendrix
foi o principal promotor da popularidade das "Pilhas Marshall" e os
amplificadores Marshall foram cruciais na modelagem do seu som pesado e
saturado, habilitando-o a controlar o uso criativo de "feedback" (N.T.
re-alimentação) como efeito musical.
Hendrix foi também constante na procura de novos efeitos de guitarra.
Ele foi um dos primeiros guitarristas a se lançar além do palco a
explorar por completo as totais possibilidades do pedal wah-wah. Ele
também teve um associação muito proveitosa com o engenheiro Roger Mayer e
fez uso extensivo de muitos dos dispositivos desenvolvidos por ele,
incluindo a "Axis Fuzz Unit" , o "Octavia octavia doubler" e o
"UniVibe", uma unidade de vibrato desenvolvida para simular
eletronicamente os efeitos de modulação dos alto-falantes Leslie.
O som de Hendrix era uma mistura única de alto volume e alta força,
controle preciso do "feedback" e uma variação de efeitos de guitarra
cortantes, especialmente a combinação "UniVibe"-"Octavia", que pode ser
escutada na sua totalidade na versão ao vivo de 'Machine Gun' gravada
pela 'Band of Gypsys'.
Jimi Hendrix foi um símbolo e jamais será
esquecido por sua música e seu espirito de trabalhador exigente, mas
criativo acima de tudo.
- Eddie Van Halen
Eddie não foi o inventor da técnica "two hands", assim como o "tapping" e
a técnica de digitação como muitos dizem, mas foi quem as popularizou.
Pra
quem ainda não sabe, a técnica two hands consiste em tocar a guitarra
usando-se as duas mãos no braço do instrumento. Já o tapping, usa-se o
dedo indicador dando toques, batidas rápidas, em cima do traste.
Eddie
foi um verdadeiro revolucionário em se tratando do instrumento. Ele
desenvolveu o sistema de micro-afinação, que simplesmente aterrorizava
os guitarristas que muito usavam a alavanca antigamente.
O sistema também apresentou a famosa trava no último traste do braço,
antes do headstock, permitindo então, que se use a alavanca e que se
tenha as cordas de volta na mesma posição inicial, sem desafinarem.
Em
meados de 1995, Eddie criou outro sistema patenteado como EVH D-TUNA, que
consiste em facilitar a mudança de afinação da corda E (mi) para D (ré)
sem a necessidade de interferir na tarraxa ou no sistema de
micro-afinação.
Eddie foi o primeiro a criar seu próprio shape de guitarra e a fazer
experiências com captadores, chegando ao ponto de ele mesmo rebobinar os
fios da bobina do captador e até mergulhá-los em parafina, a fim de se
evitar a microfonia.
Eddie provou que não se tem o melhor som de guitarra com um maior número de captadores na mesma.
Extremamente
perfeccionista, Eddie queria um som de Les Paul no corpo de uma
Stratocaster. Isso por ele dizer que seu corpo não se encaixava ou se
adaptava ao corpo de uma Les Paul, e também por achá-la muito pesada.
Foi
assim que Eddie chegou na sua mais famosa e bizarra experiência: a
guitarra Frankenstrat. A Fender recentemente lançou um lote de réplicas
da famosa Frankenstrat.
Detalhe interessante, é que as réplicas vêm de fábrica com os mesmos
"defeitos" e gambiarras da Frankenstrat original de Eddie: as
queimaduras de cigarro no headstock, os ralados e esfolados, o captador
single coil desligado próximo ao braço, o buraco do captador single coil
do meio aberto, o escudo recortado, um botão único somente p/ volume e a
moeda fixada no corpo da guitarra nivelando o Floyd Rose.
Se os atuais deuses da guitarra usam e abusam de tais tecnologias e opções, que agradeçam ao gênio Eddie Van Halen.
Além de tudo isso, Eddie foi sem dúvida alguma o guitarrista mais influente dos últimos tempos.
- Steve Vai
Considerado o melhor guitarrista da atualidade, Steve é citado como
influência por inúmeros guitarristas desde a década de 1980 (pós-Eddie
Van Halen) em diante.
Steve ficou fascinado com a música de Frank
Zappa. Em uma entrevista a revista Guitar Player Norte Americana, Steve
disse que inúmeras vezes, telefonou para Zappa tentando contato (sem
muito sucesso), contudo, com muita insistência, Frank atendeu o telefone
e perguntou o que Steve desejava. Steve disse que não existia ninguém
capaz de transcrever em partituras, com tanta perfeição quanto ele, as
músicas de Zappa. Então Zappa, curioso, o autorizou e tão logo Steve
enviou pelo correio transcrições dos solos de guitarra de Zappa para o
próprio, e após encontrar Steve pela primeira vez, Zappa ficou tão
impressionado com as habilidades do jovem que o convocou para trabalhar
transcrevendo suas intermináveis seqüências de rock sinfônico
experimental.
Enquanto trabalhava para Zappa, Steve viajava com a banda em turnê e
tomava parte numa espécie de competição com o público, onde pessoas
traziam partituras e Steve tentava lê-las à primeira vista.
No final
de 1985, Steve juntou-se à banda do ex-vocalista do Van Halen, David Lee
Roth, e participou de dois álbuns: Eat 'Em and Smile e Skyscrapper.
Essa passagem pela banda de David o proporcionou grande fama entre o
público de rock, uma vez que David estava em uma guerra declarada contra
os membros do Van Halen e Steve era inevitavelmente comparado a Eddie
Van Halen.
Em 1990, Steve lançou seu álbum solo Passion and Warfare, largamente
aclamado pela crítica. Isto sedimentou sua posição no topo dos
guitarristas "virtuosos".
Enquanto as contribuições de Steve a outros
artistas tem sido restrita ao estilo rock ou hard rock, suas
composições próprias são consideravelmente mais esotéricas.
O estilo
de tocar de Steve Vai é bastante peculiar e teatral, carregado de
gestos, e caracterizado por sua facilidade técnica com a guitarra e seu
conhecimento de teoria musical.
Steve ajudou a desenvolver sua série de guitarras, conhecida como JEM,
com a fábrica japonesa Ibanez. Essas guitarras possuem uma alça de mão
(geralmente chamada de monkey grip, ou "pegada do macaco") talhada no
corpo da guitarra, fazendo um buraco no mesmo.
Steve também tem sido
creditado como o responsável pelo ressurgimento da guitarra com 7
cordas. As primeiras antigas foram tocadas pelo guitarrista de jazz
George Van Epps, nas décadas de 1930 e 1940, mas o conceito foi
reintroduzido no rock por Steve.
Steve está por trás da versão de 7 cordas da JEM, chamada Universe. Esta
guitarra influenciou muitos guitarristas, principalmente os do estilo
conhecido como new metal, surgido no final da década de 1990.
Steve
também trabalhou com a Carvin para desenvolver a linha de amplificadores
de guitarra Legacy. Steve queria criar um amplificador superior a todos
os que ele já tinha usado, em termos de som e versatilidade.
Ao
longo de sua carreira musical, Steve Vai usou e desenvolveu muitas
guitarras. Ele já teve seu próprio sangue colocado na pintura
psicodélica de uma de suas guitarras JEM, chamada JEM2KDNA (ou
simplesmente DNA, em alusão ao DNA presente no sangue) – apenas 300
guitarras foram feitas utilizando esta pintura.
Um ponto interessante a ser notado é o compromisso de Steve com o ato de
estudar e praticar. Ele declarou em vários textos e a várias revistas
especializadas de guitarra que pratica cerca de oito horas por dia ou
mais – hábito adquirido nos seus primeiros anos de faculdade.
Fonte: Wikipédia e ricardo5150.blogspot.com.
Sobre Eddie Van Halen: texto de Ricardo M. Freire.








































0 Comentários:
Postar um comentário