sexta-feira, 1 de julho de 2011

Van Halen: Uma Análise do Álbum Van Halen III (1998)

 Van Halen III (1998).


Há mais de um ano, meu caro amigo Jay soltou a máxima "dar pau em quem odeia é moleza" em um artigo sobre a banda dessa mesma postagem num blog que tem seu título em homenagem à mesma: Van do Halen. Foram poucas os reviews realmente abalizadas sobre o trabalho que está sendo trazido nesse post, porque muitos se fecharam ao preconceito e às críticas negativas que, com uma certa coesão, o play recebeu. Cá estou, dando minha cara à tapa, pra falar logo da ovelha-negra de uma discografia invejável, onde até o "pior" é muito bom.
 
 
A história do Van Halen após o período "Balance" é bem complicada. O disco foi bem recebido, apesar de sua conduta mais séria, e a turnê fluiu bem, mas o vocalista Sammy Hagar abandonou o barco em 1996, o que deu palco para uma reunião da formação clássica, com a lenda David Lee Roth, anunciada no MTV Video Music Awards de 1996. No entanto Diamond Dave não durou mais do que algumas semanas e uma situação nebulosa o colocou para fora.
A formação clássica reunida em 1996. 

As audições para vocalistas incluíram o quase-Hagar (só de visual) Mitch Malloy e a ótima moça Sass Jordan - ambos podem ter seus trabalhos conferidos aqui na Combe -, mas o escolhido foi Gary Cherone, vocalista do recém-acabado Extreme e sugerido pelo empresário do VH, Ray Danniels. Com a formação consolidada e ânimo de sobra para novas composições, eis que o trabalho, composto e gravado em 1997, chegou às prateleiras em março de 1998.
 
"Van Halen III" é taxado por muitos como um trabalho solo do guitarrista Eddie Van Halen que simplesmente levou o nome do conjunto. A proposta pouco tem a ver com qualquer das facetas apresentadas nos álbuns anteriores. Em qualquer aspecto. Mas apenas por ter Van Halen no título, a audição se torna desagradável? Particularmente, gosto de apreciar a música, não a nomenclatura ou o rótulo a ela atribuído. Exemplos se dão por "The Final Cut" do Pink Floyd e "Chinese Democracy" do Guns N' Roses, álbuns mais "solo" julgados sem nem mesmo serem devidamente ouvidos por se distanciarem de sonoridades clássicas desses nomes.
Enfim, o que pode caracterizar tamanha mudança? Pra começar, os tempos mudam e não dá pra falar de festa o tempo todo, até porque o mundo não é só isso. Ora, nem o Kiss e o Slade, duas das maiores "party bands" do Rock, abordaram apenas as temáticas festeiras ao longo de suas carreiras. Aqui as letras refletem, em primeira instância, propostas mais engajadas e assuntos ligados à política e problemas sociais. De forma inteligente, as composições de Cherone (quem liderou a parte das letras) tocam nesse ponto, apesar dos altos e baixos. 
Musicalmente falando, tem-se elementos de todas as fases do Van Halen aliados à contemporaneidade que assolava a música na mídia e a "funkeada" que já era característica no Extreme de Gary. Havia a necessidade de se reinventar. Melodias densas, riffs mais complexos e cozinha mais bem trabalhada do que o habitual dão o subsídio necessário para que o brilho da guitarra de Eddie Van Halen dê alguns de seus mais inspirados solos até então - sem exageros. Aliás, Eddie cuidou até dos baixos por aqui, dando início à polêmica entre o baixista Michael Anthony (que só tocou em três músicas) e os irmãos VH, que dura até hoje. Vale lembrar, também, que a duração de cada faixa é maior que o normal e a presença de baladas é mais acentuada, sendo que uma foi cantada por Ed: "How Many Say I", de longe a pior do disco.
A voz de Gary Cherone, todavia, não parece se enquadrar bem no geral. O vocalista não conseguiu soar original em sua performance pois, em vários momentos, se mostrou disposto a permanecer na sombra do imponente Sammy Hagar. Ato falho que, apesar de não permear em todas as canções, chega a ser irritante em algumas.
No geral, "Van Halen III" não foi sucesso de vendas. Passou longe, diga-se de passagem. Apesar de atingir a 4ª posição das paradas norte-americanas, os caras estavam acostumados a abocanhar a primeiríssima e assolar os charts de outros pontos do mundo - o que não ocorreu de forma efetiva. Nada de disco de platina em mais de um país: disco de ouro pelas 500 mil cópias vendidas nos Estados Unidos e só. O single de "Without You" colaborou, com vídeo-clipe rolando na MTV e generosas tocadas nas rádios roqueiras.

A turnê passou por cantos que nunca haviam passado anteriormente, como a Austrália e a Nova Zelândia - inclusive, uma ótima bootleg dessa tour pode ser encontrada clicando AQUI. O quarteto, após o fim da mesma, até se preparava para gravar um disco novo, mas Gary Cherone pulou fora em meados de 1999 por conta das famosas "diferenças musicais", intensificadas pela nada calorosa recepção de "Van Halen III".
Destaques podem ser muito bem feitos para a paulada "Without You", que conta com ótimos backing vocals ao longo de sua duração; para a quase-Hagar (agora não de visual) "Fire In The Hole" e seu andamento característico, recheado de bons riffs; a densa "Ballot Or The Bullet", que carrega uma crítica aos Estados Unidos; a ótima roqueira "One I Want"; e a bela balada "Josephina".
Em suma, "Van Halen III" é o pior disco da trajetória do Van Halen. Mas o nível do grupo é tão alto que até seu pior disco consegue ser bom. Não integralmente bom, por isso é o pior. Mas tem ótimos momentos e merece atenção redobrada, pois é difícil de ser digerido. E então, caro leitor? Decidiu dar uma nova chance? Já gosta? Não desce de forma alguma? Não deixe de comentar!

Van Halen III (1998)
Faixas:
Gary Cherone - vocal
Eddie Van Halen - guitarra, violão, baixo, teclados, piano, backing vocals, vocal em 12
Michael Anthony - baixo em 2, 3 e 7; backing vocals
Alex Van Halen - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Matthew Bruck - guitarra adicional
Mike Post - piano em 1

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