domingo, 14 de março de 2010

Van Halen: O Impacto Duradouro de David Lee Roth e Van Halen

Leitura de Quarta-Feira: Primeiro Show de Geoff Reading.

O impacto duradouro de David Lee Roth e Van Halen sobre a juventude de ontem.


Esta semana é o aniversário de minha irmã. Feliz aniversário, Jessica. Obrigado pelas contribuições de vida. 
 
O Centro de Seattle, e que costumava ser o Coliseu, é onde eu vi a maioria dos concertos de rock durante meus anos de formação. O primeiro show que eu vi foi junto com minha irmã mais velha e sua amiga, Melinda. O show foi no Coliseu Bumbershoot 1947, e nós fomos ver o Junior Cadillac tocando com os The Heats. Lembro-me do tempo estar a noite e nós nem sequer se preocupamos em encontrar os nosso lugares naquele dia. Nós saímos dali impressionados e arrepiados com as apresentações - o mais incrível é que ninguém nos incomodou. Este foi o início dos anos 80.
 

A única coisa que estava presa em mim era o cheiro. Sempre que alguém tirava uma foto flash, você poderia ver a neblina que aparecia enfumaçada - que fazia o chão quase imperceptível. O cheiro era como um caldo de galinha - parecia que alguém estava cozinhando: um doce e um pouco de galinha (sem trocadilhos) - e muito picante. Perguntei a minha irmã sobre o cheiro de caldo de galinha e ela fez um comentário para sua amiga Melinda, como "alguém cozinhando algo." Mais tarde, eu iria reconhecer o mesmo cheiro que também tinha no meu colega todas as manhãs, meu colega de oitava série, Dennis, na época estávamos fazendo o nosso primeiro período de aulas de Inglês. Ele parecia ter acordado com mal humor, e quando eu olhava para ver os seus olhos, eles estavam um pouco abertos, eu nunca via ele com um sorriso estampado no rosto, pois ele vivia resmungando e sempre dormindo tarde, as vezes até a madrugada.

Também me lembro de ouvir um rugido da multidão quando os Heats tocaram "The Hit". Mesmo que eu tenha ouvido e gostado mais da música "I Don't Like Your Face" - é a melhor música dos sujeitos - mas eles não a tocaram nesse dia - seria também uma forma de surpreender o público tocando a música. Mas isso aconteceu alguns anos mais tarde, quando fui no show deles no Coliseu Chaperon Sans.

Mais tarde, meus pais me deram um grande presente de aniversário, quando completei 16 anos.


Meus pais compraram um bilhete para ver o Van Halen durante a Turnê de 1984. Vejam que presentão. Eles me deram um bilhete e deixaram o meu irmão também comprar um bilhete - e eles ainda me deram o dinheiro para comprar uma camisa.

O dia do show foi em um dia de aula na escola, meu irmão e eu nos encontramos depois do terceiro período da escola, saímos da escola pelas escadas do corredor, e pegamos um ônibus e saltamos no Metro. 35 minutos depois, o ônibus nos deixou em um outro universo - a hora do grande show. Desde a aparência do show, quase não havia regras que se aplicavam a um dia antes do show e na entrada dos concertos no centro de Seattle. Havia pessoas nos observando - pois eramos menores. Os cigarros eram fumados ao ar livre. Era muito diferente em relação a hoje em dia. Hoje tudo mudou, e as normas também.

Quando o Van Halen finalmente subiu ao palco, abrindo com "Unchained", eu estava vendido. 


Olhei em volta e vi todas aquelas pessoas no mesmo local com o tempo absoluto das suas vidas: imersos em um mundo onde as regras não se aplicam e os limites é a configuração/leis da terra. Todas aquelas pessoas que compartilhavam uma experiência religiosa, apenas quatro delas compartilhavam no palco.
 
Nós estávamos no melhor momento do show, e acho que nem um cientista saberia explicar em que lugar estávamos naquele momento do universo. Foi um momento para nunca ser esquecido, a primeira música ficou completamente incrível. Eu estava a menos de cinco metros de onde estava David Lee Roth - ele corria o palco todo e pulava do palco em uma altura de 20 metros, como se fosse um gato. Eddie Van Halen e Michael Anthony faziam gestos e brincadeiras com a multidão em todos os lados do show. Todos os isqueiros foram acesos e começou uma formação de ondas de energias rolando no palco. Foi tangíveis. Eu podia sentir isso. David Lee Roth estava com uma camisa com a face de Jesus Cristo - e correndo e pulando pelo palco todo.

Em seguida, eles tocaram "Jamie's Crying" e David Lee Roth começou a falar algumas asneiras. Ele cantou o primeiro verso duas vezes. Ninguém se importou! Eu quase fui esmagado pelo público.

Então deixe-me ver se entendi. Não é só eles que conseguem fazer isso todas as noites e festas, eles não têm nem mesmo a palavra certa para descrever esses momentos?! Mas que diabos eu estou falando?

Não era um programa específico, "Isto é o que vou fazer da minha vida", mas até que surgiu algo que desafiou o que eu tinha testemunhado como sendo capaz, eu estava seguindo essa direção de vida nos palcos e como músico.

Levaria 25 anos de minha vida, mas logo depois, viria uma doença fatal, o que derrubaria o meu único sonho possível de passar minhas horas de vigília.

 
O baterista Geoff Reading - que escreve uma coluna em linha bi-semanal (sextas-feiras) para o Volcano semanal chamado de "Holding Down The 253", além de sua coluna semanal de música na Quarta-Feira - tem músicas tocadas em toneladas de bandas do Noroeste - Green Apple Quick Step, New American Shame, Top Heavy Crush e, mais recentemente Loaded Duff McKagan - citando apenas algumas bandas. Ele percorreu o mundo várias vezes, partilhando o palco com outras bandas, como Slipknot, The Cult, Buckcherry, Korn, Journey, The Sex Pistols, Nine Inch Nails e assim por diante. Ele mora em sua casa, em Tacoma, no Fim do Norte dos E.U.A, desde 2005, e vive com sua esposa e filho.


O Volcano semanal na casa do baterista, Geoff Reading, publica sua coluna semanal de música no site weeklyvolcano.com, toda Quarta-Feira. É chamada "Leitura de Quarta-Feira".

Van Halen
- Tour 1984
Colaboração: Simon Holanda, Ricardo 5150, Érico Salutti, Eduardo Pinheiro.

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