segunda-feira, 10 de março de 2008

Van Halen: Entrevistas

Eddie Van Halen: Fala de suas conversas com Deus (2009)O site Spinner.com recentemente conduziu uma entrevista com o lendário guitarrista Eddie Van Halen que falou, dentre outras coisas, sobre o início de sua carreira e até de suas conversas com Deus.

Spinner.com: Você não começou tocando guitarra, ou começou?

Eddie Van Halen: "Eu nunca tive aulas de guitarra. Tive aulas de piano quando tinha 6 anos e vivia na Holanda. Quando viemos para a América era algo típico, exceto pelo fato de que eu era realmente bom nisso, assim como meu irmão. O Colégio na cidade de Long Beach tinha uma competição, era um recital de piano e eu venci três vezes seguidas. Mas então eu parei de tocar piano por uma razão: fui forçado a fazer isso [tocar piano] e eu não podia tocar o que eu queria, e isso não era divertido. Então me rebelei e comprei para mim um kit de bateria, e meu irmão, que tinha parado de tocar piano também, começou a tocar guitarra. Bem, Alex começou a tocar minha bateria e ele era bem melhor do que eu, então eu disse: 'Ok, foda-se, eu irei tocar sua guitarra'".

Spinner.com: Fale um pouco sobre suas técnicas de gravação e composição.

Eddie Van Halen: "Levo em torno de uma boa hora para esticar meus dedos, e eu sempre deixo a fita com o material rolando ao fundo, ou um cassette, algo do tipo. Depois de duas horas e meia, três horas, então entro em uma zona que estou reaprendendo a encontrar depois que parei de beber. Quando eu bebia chegava lá mais rápido. É um tipo de zona onde você não está pensando, onde você está apenas aberto para tudo, e eu acredito que quando você toca o bastante tem a possibilidade de executar com seus dedos qualquer coisa que Deus dê a você, e Deus não irá lhe dar nada se você não praticar ou tocar. Então, depois de duas, três horas, Deus diz: 'Ok, ele está preparado, irei lhe jogar um osso'. E Deus tem um senso de humor também, pois as vezes ele me dá algumas merdas, não gosto de tudo o que faço".

Spinner.com: Acho que todo compositor sempre atinge alguns momentos onde sabe que chegou em algo realmente especial. Quais são alguns destes momentos para você?

Eddie Van Halen: "É como 'Jump': esse foi nosso single nº 1, e acredite ou não, eu construí meu estúdio para colocar esta música em nosso disco pois todos odiaram-na, e a mesma coisa aconteceu com 'Right Now'. Alex e eu gravamos toda a coisa certos de que as pessoas não queriam fazer parte disto, então ela vence um Grammy e um MTV Award para o Vídeo do Ano, e de repente é como: 'Ei, sim, ótimo!' Mas fazer a pessoa cantar a maldita música foi como arrancar os dentes. Tem algumas coisas pelas quais eu luto pois eu escrevo todas as músicas, então eu acho que eu tenho um pouco a dizer sobre como as coisas devem ser feitas. Eu não sou um tirano, como a maioria das pessoas pensam. Eu apenas espero que outras pessoas, se você estiver nesta banda, trabalhem tão duro quanto eu trabalho".

Entrevista do Site:
Spinner.com
Junho/2009


Eddie Van Halen: Trabalhos & Turnês (2009)
David Wild da Rolling Stone conduziu uma entrevista com Eddie Van Halen no Spike Guys' Choice Awards, que foi gravado no sábado passado (dia 30 de maio) em Culver City, Califórnia.

RollingStone: A turnê do Van Halen foi um tremendo sucesso. Você ficou surpreso?

Eddie Van Halen: "Você nunca imagina, mas eu sei o seguinte. Janie (noiva de Eddie/publicitária) e eu nos casaremos dia 27 de junho e então iremos para uma lua de mel. Daí Dave (Lee Roth), Wolfie (Van Halen), Alex (Van Halen) e eu vamos para o estúdio gravar algumas novas músicas e sair para a turnê por algo em torno de um ano".

RollingStone: A turnê do Van Halen ajudou a iluminar algumas novas ideias musicais?

Eddie Van Halen: "Não, estou sempre escrevendo, você sabe. Mas nós agora somos uma banda de verdade, não é apenas uma reunião. Eu fui à casa de Dave quatro ou cinco vezes no último mês, fizemos muitas músicas. Somente estava tentando imaginar como Dave estava pois não escrevemos juntos faz um bom tempo, mas está ótimo! Me sinto como eu me sentia no início, mas agora estou sóbrio, então é diferente. Ele está sóbrio, então é diferente. É um sentimento maravilhoso".

RollingStone: Você escutou o Chickenfoot?

Eddie Van Halen: "Não, não escutei".

RollingStone: Nenhum interesse em particular?

Eddie Van Halen: "Bem, eu não escuto nada, na verdade".

RollingStone: Você faz sua própria música?

Eddie Van Halen: "Sim, estou muito ocupado fazendo minhas próprias coisas, desejo a eles tudo de bom. A coisa engraçada nisto é que todos que deixam a banda sempre declaram que foram expulsos por mim. Ei! Eu não sou o cara malvado aqui. Quando (Sammy) Hagar deixou a banda, Mike (Michael Anthony) quis ir com ele. Então quando nós voltamos com Dave, e todas essas coisas, ele quis retornar. Foi como: 'Não cara, você deixou a banda', então meu filho se tornou o baixista. Mas não dispensamos Mike para que meu filho tocasse. Ele estava por aqui, não tinhamos um baixista. 'Hey Wolfie, você quer tocar?'"

Entrevista do Site:
RollingStone.com
Junho/2009


Eddie Van Halen: "Futuro" (2009)
A atual edição da Revista Hustler traz uma entrevista exclusiva com o Eddie Van Halen. Aqui estão os destaques onde ele fala sobre seus próximos planos de casamento e fazer novas músicas com David Lee Roth:

Revista Hustler: Quando podemos esperar o novo CD?

Eddie Van Halen: Primeiro, a graduação do Wolfgang, e então Janie (noiva do Eddie, e publicitária, Janie Liszewski) e eu nos casaremos. Daí nós nos sentaremos, ligaremos para o Dave (Lee Roth) e perguntaremos se ele se sente no clima. Eu tenho uma tonelada de músicas.


Revista Hustler: O seu casamento será uma cerimônia tradicional ou uma festa de astro do rock?

Eddie Van Halen: É um casamento pequeno, só com familiares e alguns amigos próximos aqui no quintal da nossa casa. Será ótimo. Meu irmão vai nos casar. Ele pode legalmente nos casar. Ele é um pastor ordenado. Reverendo Al. Será maravilhoso.

Revista Hustler: Quem será o padrinho?

Eddie Van Halen: Meu filho Wolfgang, claro.

Revista Hustler: Será algo bem familiar.

Eddie Van Halen: Eu tenho poucos amigos. Janie e eu não saímos muito, com exceção do supermercado. Ela é uma ótima cozinheira, então pra que sair? Eu nunca fui do tipo de sair com amigos muito, ou algo do tipo hollywood e esse tipo de merda. É por isso que vocês não me veêm nos tablóides com muita frequência. Nós gostamos de privacidade.

Revista Hustler: Você ainda toca todo dia?

Eddie Van Halen: Agora sim. Depois da turnê de 2004 eu estava como um saco de batatas por uns cinco meses, mas eu estou de volta! Estou compondo, estou fazendo de tudo - inclusive entrevistas. (Risos).

Revista Hustler: Qual a melhor parte em ser Eddie Van Halen em 2009?

Eddie Van Halen: Eu acho que pela primeira vez na minha vida eu realmente me sinto bem. Eu realmente não quero voltar àquela viagem sobre sobriedade. Mas eu estou apenas trabalhando em várias coisas para melhorar e ficar limpo, saca? Eu estive bebendo, fumando e tocando guitarra desde que eu tinha 12 anos de idade. Eu ainda fumo, e definitivamente estou tocando guitarra melhor do que nunca. Eu acho que um dos três tinha que ir. Junto com outras merdas. Mas o álcool foi a droga maravilha para mim. É uma viagem olhar pra trás e dizer, "Porra, eu venho fazendo isso por 40 anos." Eu tenho sorte de estar vivo. Eu estou mais saudável e feliz do que jamais estive.

Eddie Van Halen: Janie e eu nos casaremos em junho. Ela é uma mulher bonita, sensual, doce, forte e esperta que me ama incondicionalmente. E claro, vice e versa. Eu me refiro ao amor. Eu tenho o filho (presente direto de Deus) mais insanamente dotado, talentoso, e maravilhoso, que eu amo mais do que ele saberá. O meu irmão Alex, que eu também amo pra caralho, me faz querer chorar de alegria porque sou tão abençoado de tê-lo desde o dia em que nasci. O meu melhor amigo, Matt, que eu conheço por mais de 20 anos e trabalha comigo em quase tudo que eu faço. Meu amigo, Ryan e algumas outras pessoas. Uma grande carreira. E claro, minha própria empresa, EVH, marca de guitarras, amplificadores e acessórios. O que mais eu posso pedir? Eu sinto que minha vida está apenas começando. É isso que é a melhor parte de ser Eddie Van Halen... em qualquer ano.
Entrevista do Site:
Hustler.com

Março/2009

Eddie Van Halen: "A Nova EVH Wolfgang" (2009)O ano de 2009 começa com uma instigante novidade para amantes de boas guitarras, particularmente das usadas por Eddie Van Halen. O guitarrista acaba de lançar mundo afora sua nova EVH Wolfgang. O modelo foi desenvolvido durante dois anos de intensas pesquisas e testes no palco, durante os shows da turnê realizada entre 2007 e 2008. Além disso, traz toda a bagagem de 35 anos do músico.“Guitarra representa uma extensão pessoal do jeito de tocar de cada um”, comentou Eddie. “Você tem de estar emocional e espiritualmente conectado com seu instrumento. Eu poderia simplesmente ter ficado em casa e construído essa guitarra para mim. Entretanto, preferi colocá-la no mercado devido à grande procura dos equipamentos que costumo usar”. A EVH Wolfgang que estará nas lojas será idêntica à que Eddie Van Halen usa nos palcos e gravações – desde os aspectos básicos aos mínimos detalhes. Garantia do próprio. Em 2007, Eddie Van Halen e a Fender trabalharam em conjunto para lançar uma série de produtos personalizados, incluindo o novíssimo amplificador EVH 5150III e a edição limitada da réplica da guitarra “Frankenstein”. Para outras informações, acesse http://www.evhgear.com/.

A única coisa que é parecido com a nova Wolfgang é a forma corporal, e mesmo assim mudou um pouco. Todo o resto é diferente, a forma como o pescoço, parafusos, o aço inoxidável, trastes, tuning, estacas, encadernação, captadores, tailpiece, potes e muito mais. O acabamento é extremamente fino e a cavidade é deixada inacabada para deixar a madeira respirar e melhor a idade.
Desde o início, tudo o que me pegou fora do rack em uma loja de discos, o mesmo feito por encomenda, não fiz coisas que eu queria fazer. É ou não têm o suficiente de algo ou que tinha um monte de sinos e assobios que eu não precisava. Muitos dos que tinham a ver com o fato de que nunca teve aulas, então eu não sabia direito. Eu não sei, havia regras, eu só sabia que eu gostava e queria sentir e ouvir. Também teve um impacto importante sobre a maneira de eu tocar, fazer as coisas na guitarra que não foram escritas em nenhum livro. Eu destruí um lote de guitarras para fazer o que eu queria, mas eu aprendi uma coisa de cada guitarra, rasguei além e descobri ainda mais as coisas. Coisas como se a cadeia não é reta a partir da ponte sela a porca, você vai ter atrito. Na maioria das guitarras o cabeçote é angulado para trás o que contribui para agravar o problema. Se tomar o vibrato bar estabelece afrouxar as cordas da ponte para a porca para o tuning peg. Quando voltar do bar, o tuning não voltar ao mesmo ponto. Então, eu tenho uma bronze porca, feitas as faixas realmente grande e ponha 3-em-1 petróleo no corta a corda onde viaja através da porca. Então eu feri as cordas até o tuning peg em vez de para baixo até a linha a partir da ponte de sela a porca para o tuning peg foi reto como uma seta. Além disso, na parte de trás da guitarra onde você colocar a string através do bloco sobre uma Fender Tremolo tailpiece, cada vez que transformou o tuning peg, e transformá-la cada volta do tuning peg, aliviar as tensões dentro de torção a seqüência em si. Funcionou muito bem. Estas são algumas das descobertas que fiz que me permitiu usar um padrão vibrato e fazer coisas malucas e manter a guitarra em sintonia.Aprendi muitas coisas ao longo do caminho e integradas em todas elas a construção da "Frankenstein" guitarra, que foi originalmente pintada a preto e branco. Ela foi usada na gravação do primeiro disco do Van Halen e na primeira Turnê, as pessoas estavam em turnê pela floored como eu poderia fazer todas essas coisas malucas com um padrão Fender Tremolo e ficar em sintonia. Continuei a putz com cada aspecto de uma guitarra. Eu mesmo tentei o meu próprio enrolamento pickups. Uma coisa que eu nunca gostei sobre a maioria das outras guitarras é que a frente e a traseira os captadores eram os mesmos. Quando eu ia começar a retaguarda, os captadores soaram grande parte da frente, seria um som como lama. Eu não gosto disso, então eu tentei o captador menos sinuoso e muito mais, utilizando um íman mais pesado e um monte de coisas diferentes. Durante anos eu usei apenas um captador, porque eu não podia ficar com o mesmo som que eu queria com o captador a não ser que eu mude o amplificador, definições que já estavam marcadas para o captador ponte. Tenho diferentes sons através das técnicas. Então eu ligado com alguns captadores de empresas me pediram para eu fazer um captador diferente. Isso ajudou. Então eu comecei a experimentar com a distância em que o captador foi colocado e da forma como ela reage com a corda. Eu uso o meu dedo como um indicador. Existe um ponto próximo do selim em que o harmônico é a raiz. Isso é onde você deseja que o pólo centrada. Tenho verificado outras guitarras e eles só colocam o captador em qualquer lugar. Isso pode causar todos esses dissonantes overtones que você vai fazer, "Onde diabos veio isso?" Não sei que muitas pessoas. O captador obviamente pega o som das cordas. Se ela estiver abaixo de um dissonantes harmônico, ele vai ao som dissonantes.Eu tambem não poderia defender o elevado chato gabarito guincho que ocorre no brincar muito com elevados volumes. Achei que era os enrolamentos das bobinas vibratórias que causou o retorno. Eu pensei que se eu pegar uma luz em cera derretida, quando a cera esfriou seria para parar os enrolamentos das bobinas de vibração. Cera derretida, o captador mergulhado na cera e puxei antes das bobinas derreterem. Eu nem sempre pego as bobinas no tempo certo. Eu estraguei um monte de captadores dessa forma. Quando eu entendi direito. . . Este processo é conhecido como envasamento, e ela também se tornou um padrão no processo de fabricação da indústria. Eu estou constantemente pesquisando. Nós estamos além e analisando todas as pequenas coisas sobre a nova Wolfgang. Se alguém não fez algo que era bom o suficiente para nós, encontramos alguém para fazer isso. A nova Wolfgang é um ponto culminante da minha experiência de 35 anos com guitarras. Tudo o que tenho destruído, tropeçado, aprendido e experimentado no meu percurso para chegar a onde estamos agora está nesta guitarra. E há muito mais para vir. Uma guitarra é uma extensão muito pessoal da pessoa tocando. Você tem que estar emocionalmente e espiritualmente ligado ao seu instrumento. Eu faço muitos atos brutais em meus instrumentos, mas não o tempo todo. Eu não estou no ponto em que está o Pete Townshend, quebrando o instrumento depois de um show. Eu não faria isso a um instrumento que é uma parte de mim. Eu não preciso fazer isso por questões financeiras. Eu poderia apenas ficar em casa e tocar esta guitarra só para mim. Mas muitas pessoas perguntam se eles podem ter o que eu uso. Bem, sim vocês podem e o que vocês têm [com esta guitarra signature] é idêntico ao que eu uso. É por isso que levou tanto tempo. A sensação é o que é realmente importante. A harmonic overtones e do tom geral de uma guitarra, todos contribuem para sustentar e sentir o que tem tanto a ver como é tão fácil tocar. Um grande número de fatores entram em jogo quando se trata de fazer como captadores, enrolamentos e bobina imãs, etc... Em última análise, decidimos tentar fazer o nosso próprio pickups. Isso é porque nós tivemos muito mais controle. Antes, fizemos essa decisão, eu disse: "Vamos tentar avançar o captador ao redor." Foi uma das nossas últimas tentativas para fazer as coisas funcionarem. Foi apenas 1/32nd de uma polegada. A tolerância de coisas sobre esta guitarra é como as normas da NASA. Tinha de ser apertado, e tinha que ser de qualidade. Aqueles caras fizeram o que fizemos com esta guitarra. Eles prestaram atenção a cada detalhe. Você não pode dizer: "Oh, que vai fazer." Não, não vai fazer. É fácil de tocar, e tem a sustentação, harmônicos e feedback que você deseja. É assim que eu posso dizer apenas por acertar uma nota. Se ele tem muito tempo para o retorno, não é pegar o direito de freqüências da cadeia. Havia este desagradável, feio som harmônico. Tratar-se-ia explodir sua mente quantas variáveis estão envolvidas, e não apenas com o captador, mas também a reação entre o captador e da madeira, e como ele é conectado. É por isso que eu prefiro parafuso, o captador diretamente para a madeira. Tudo tem de ser ligado. Começa com os dedos, os captadores tomá-lo de lá e, depois, que atravessa o cabo para o amplificador. Era uma questão de fechar meus olhos e sentir. Nós voltamos a algumas das minhas guitarras anteriores, como a guitarra listrada, tive novamente em 1984. Esse é o jeito que eu gostaria que todos sentissem. It's nice. É como uma mulher sexy. Um monte de vezes que você ir para um vendedor e eles vão te dar alguma coisa boa, mas quando você precisa de mais a qualidade tem um vôo picado. Estão muito duros com os fornecedores. Há tantos Floyd Rose trems aí. Muitas pessoas não percebem que há uma diferença. Temos uma concepção de que é o melhor que existe. Passamos por todos os tipos de informações como usar um latão, manter o bloco. É prova de bala, e soa melhor. Não quero som arrogante, pomposo ou egoísta, mas esteticamente acho que esta guitarra é direita lá em cima com uma Les Paul. E isso é tudo, para além do trabalho e da qualidade do próprio instrumento e os componentes. É simples, equilibrada e que se sente bem. Parece demasiado grande. Se você tem uma grande guitarra, e soar aquela qualidade é um bom instrumento, e você sabe como fazer a guitarra falar, essa é a chave. Começa com a guitarra e sabendo como sentir o som. Ontem eu peguei a primeira Wolfgang, dois modelos de produção, e eu senti ainda melhores do que os principais Wolfgang protótipo que eu usei em toda a Tour! Esta é a guitarra ! - Tinha que ser feito. Eu não deixo nada a não ser que eu tenha dado a volta ao quarteirão. Tocar em casa é totalmente diferente do que tocar no estúdio. O meticuloso esforço que teve início a partir do zero aliviou um monte de problemas, que me deu a confiança para levá-la em turnê. Os ajustes que fizemos na estrada era muito menor, porque de toda a preparação que fizemos. O aço inoxidável trastes eram um grande avanço, porque o montante de tocar e dobra o que faço. Eu tenho que pegar minha guitarra refretted cada par de meses. Em toda a turnê , os trastes eram grandes. Elas não se desgastam. Quem acha que eles tiram o tom é de loucos. Não tem nada a ver com o tom. É modificado o volume pote, porque quando eu estou tocando "Cathedral" a maioria dos vasos congela até quando eu estou fazendo, o volume aumenta. Estou constantemente girando para baixo o volume entre todas as pausas e pausas dentro das músicas. O Controle de Volume é como o meu volante. Se não souber levar, suave e fácil, e se não tiver qualidade, estou morto. Eu tenho que virar essa coisa para cima e para baixo em um instante. Eu sou provavelmente mais duro sobre ela e utilizá-lo mais do que ninguém, por isso tem de ser duradouro. Mais uma vez, bom o suficiente não é suficientemente boa para mim. Parece grande, mesmo quando não é conectado, preciso de um total corpo vibrátil. Isso só faz sentido para mim. O que torna uma guitarra acústica o som melhor do que outros? A madeira e sua ressonância. É o mesmo com uma guitarra elétrica. Os captadores são só para completar o que a madeira está a fazer. Se você estiver amplificando um corpo feito de concreto que não vai soar muito boa, não importa os bons captadores. Se a guitarra soa grande desligada, há grande som do amplificador, enquanto que você prestou atenção a todos os outros aspectos e pormenores como o que temos.E colocamos expostas partes do corpo para respirar. Um violino não é clara ou selada revestida no interior do corpo. Com a idade que só som melhor. Eu não penso ao meu redor que as outras pessoas gostariam. Eu penso em coisas que eu quero e preciso. Isso é onde tudo começa. Tenho sido sempre em sintonia para baixo, a partir do primeiro registro de "desencadeou" a este dia. Tenho substituído o baixo E string com um baixo string. Eu sempre quis ter uma guitarra que eu pudesse largar a corda do baixo E Sintonizaç em um instante. Esta ponte gotas de E a A, tão rapidamente como você pode dar um flick na alavanca, e você pode ir em qualquer lugar entre os mais baixos ou até mesmo se você quiser. Se você quiser que eu uso, fizemos isso disponível. As coisas que eu uso no palco não é modificado. Minhas modificações são construídas para a minha guitarra e quando elas saem da linha. A guitarra é uma coisa muito pessoal. Se alguém anda em uma loja e vai um passo mais além do que apenas gostar da aparência de um instrumento e tem o tempo para tocar uma Wolfgang, comparando-o com outras guitarras, mantendo os olhos fechados, eu garanto que ele vai levar para casa uma Wolfgang. Vai se sentir melhor. Cada componente, pomos em tudo o que esta guitarra é o melhor que pode ser. Nós queremos o melhor. Eu não quero ter peças que desgastam. As pessoas têm a melhor guitarra que eu possa dar-lhes. Você não tem que ter o mais proficiente destreza para poder tocar facilmente. Quanto mais fácil for para tocar, melhor. Minhas guitarras ficam a sujeito a todos os tipos de temperaturas em turnês. Pode-se sentar na parte de trás de um caminhão frio durante 16 horas e, então, ser levados para um local quente. Mesmo durante a caminhada do camarim para o palco, a temperatura pode mudar drasticamente. Gostaria de transformar o estúdio em uma temperatura média. Estou sempre inspirado. Trata-se de coisas como a nova Wolfgang, se tornando uma realidade que continua a me empurrar aos limites do que é possível. Eu vou estar fazendo música todos os dias até que eu morrer. Já fiz todos os tipos de coisas, e mais se aproxima. Não sei se existe tal coisa como perfeição. Mas este é o melhor de tudo que nós poderíamos encontrar. Não é só para mim, é para todos. Estamos não apenas para o transporte marítimo coisas almighty pinote. A nova Wolfgang é os meus 35 anos de conhecimentos daquilo que faz um doce, sexy, Toney, qualidade, indestrutível. Estou muito orgulhoso disso. A melhor coisa de tudo, quando você fizer todas as coisas que fizemos e obter essas coisas, você acaba com um grande instrumento que irá inspirar alguém a fazer boa música e se divertir. Esta guitarra só faz você querer tocar. Afinal você não trabalha a música, você toca a música !Entrevista do Site:  
EVHgear.com
Fevereiro/2009


Eddie Van Halen (2008)
Em sua nova série de artigos chamada “Secrets Of The Guitar Heroes” (Os segredos dos heróis da guitarra), o site Rollingstone.com publicou uma nova entrevista com o lendário Eddie Van Halen, que falou sobre o desenvolvimento de sua técnica, dentre outros tópicos.

RollingStone: Como você começou a tocar guitarra ?

Eddie Van Halen: "Meu irmão e eu fomos forçados a ter aulas de piano, e isso não era divertido para mim. Eu ouvia música na minha cabeça, mas não conseguia tocá-la. Então eu comprei para mim uma bateria, e de algum modo convenci meu irmão Alex a ter aulas de guitarra flamenca. Eu entregava jornais para pagar pela bateria, e enquanto eu estava arremessando jornais, Alex se tornou melhor na bateria que eu, então eu disse, 'OK, vá se ferrar. Eu vou tocar sua guitarra'”.

RollingStone: Quais foram as primeiras músicas que você aprendeu a tocar ?

Eddie Van Halen: "THE VENTURES: 'Pipeline', 'Wipe Out', esse tipo de coisa. Meu irmão e eu adorávamos DAVE CLARK FIVE, mas eles não eram realmente uma banda orientada pelas guitarras. A primeira vez que eu coloquei um amplificador no 10 e ele distorceu eu pensei, 'Yeeeah! Isso é legal'”.

RollingStone: Você acabou fazendo um cover de outro clássico dos anos sessenta, “You Really Got Me” dos KINKS, no primeiro álbum.

Eddie Van Halen: "Nos nossos shows, nós costumávamos tocar essa e 'All Day and All of the Night' e, você sabe, só alguns sons semi-obscuros de rock antigo. Eu sempre gostei de pegar musicas antigas e transformar um aviãozinho em um jato. Para mim é assim que 'You Really Got Me' soa. A nossa é como whooosh (risos)".

RollingStone: Como foi importante os KINKS para vocês ?

Eddie Van Halen: "Eu apenas gosto das músicas. Eu não quero parecer um chato nem nada, mas eu nunca fui realmente fã de banda alguma além do CREAM. E na verdade eu não tenho ouvido nada atualmente. O último álbum que eu acho que comprei foi 'So' do Peter Gabriel. Do CREAM, eu era mais fã de suas interações ao vivo. Sabe, eles eram um exemplo de 'qual a diferença entre Jazz e Rock & Roll? Nós só tocamos mais alto'. Isso é tudo. Nós temos doze notas. Faça a merda que quiser com elas, entende?"

RollingStone: Sua maior inovação foi o two-handed tapping – usar as duas mão para digitar notas simultaneamente. De onde você tirou essa idéia? [Nota: "two-hand tapping" é a técnica popularizada por Eddie de ferir as notas no braço da guitarra com ambas as mãos "martelando" as cordas com os dedos nos fretes].

Eddie Van Halen: "Eu estava assistindo Jimmy Page fazendo (canta um lick de guitarra), desse jeito, com uma mão, em 'Hearbreaker'. Eu pensei, 'eu posso tocar desse jeito, e você não saberia se eu estou usando esse dedo (aponta para a mão esquerda) ou esse aqui (mostra a mão direita). Mas se você mover a mão um pouco alguém dirá “você tem uma grande mão aí, amigo. Essa é uma grande abertura!”

RollingStone: Esse se tornou o som mais imitado no Hard Rock.

Eddie Van Halen: "Bom, não me culpe. Não é minha culpa. O tapping tem sido parte de meu modo de tocar desde mais ou menos 1972. No início, meu irmão me dizia para me virar no palco para que ninguém pudesse ver o que eu estava fazendo enquanto não lançássemos um álbum".

RollingStone: As pessoas pensavam que você era um guitarrista de Marte ou algo do tipo ?

Eddie Van Halen: "Eu me lembro há muito tempo atrás estávamos tocando e alguém nos disse 'A&M Records está aqui para ver vocês, rapazes'. Era Herb Alpert. Eu o encontrei depois e ele veio falar comigo. Ele disse: 'um dos maiores erros que eu já cometi foi deixar vocês passarem'. Eu respondi, 'eu me lembro exatamente o que você disse também. Você disse que o guitarrista era muito psicodélico e com muita energia sem controle'. Eu perguntei para ele o motivo, e ele respondeu: 'eu não entendia que diabos você estava fazendo porque era tão fora do comum'. Aquilo não fazia nenhum sentido para ele".

RollingStone: “Eruption” foi uma música desenvolvida ao vivo au longo dos anos ?

Eddie Van Halen: "Não, não, não. Nós gravamos nosso primeiro álbum no Sunset Sound em Hollywood, e estávamos nos aquecendo para uma apresentação no fim de semana no Whisky. E eu estava apenas ensaiando e aconteceu do (engenheiro de som) Donn Landee gravar isso. Nunca foi planejado dela estar no álbum. Então a gravação no álbum era uma coisa totalmente louca. Foi só um acidente. Aconteceu dele estar gravando".

RollingStone: Sua guitarra rítmica é mal avaliada.

Eddie Van Halen: "Os músicos de verdade me respeitam mais por minhas bases que pelos meus solos, pois solar é fazer algo difícil, se mostrar – a não ser que você esteja realmente improvisando sobre a melodia da música. Mas na verdade eu sou muito mais um guitarrista base porque eu sou o único guitarrista da banda, então eu tenho que fazer ambos. Sempre acreditei sinceramente que uma música tem que ser boa sem que tenha vocal. Sabe, ouça Beethoven para compreender. Não há vocais".

RollingStone: Alguém levou a guitarra elétrica tão adiante quanto você fez no VAN HALEN ?

Eddie Van Halen: "Isso é difícil de dizer. Especialmente hoje em dia com todos os efeitos e Pro Tools e tudo isso e aquilo. Você não sabe mais o que é o que".

RollingStone: Você vem compondo material por algum tempo ?

Eddie Van Halen: "Sim, mas eu não tenho escrito muito ultimamente porque estamos em turnê. Eu tenho milhares de fitas por aí, mas um dia terei que revê-las e ver o que tem lá. Eu acho que muitas delas irão surpreender vocês, tudo desde coisas meladas até do tipo porcarias estranhas. Eu estou sempre experimentando sons".

RollingStone: Você vai gravar ?

Eddie Van Halen: "Com certeza. Atravessarei a ponte quando essa turnê tiver acabado".

RollingStone: Como você imagina os próximos anos para o VAN HALEN ?

Eddie Van Halen: "Na verdade não faço planos. Eu não sei. Essa turnê vai até o dia 2 de junho. Nós provavelmente teremos uma pequena folga e daí discutiremos o que fazer".

RollingStone: Como você conseguiu agüentar a turnê dessa vez ?

Eddie Van Halen: "É um estilo de vida, sabe? É como uma coisa da qual eu fui feito. É a única coisa que eu sei fazer (risos). Eu acho que as músicas que nós escrevemos resistiram ao teste do tempo, penso que é isso".

RollingStone: E vocês estão se dando bem em âmbito pessoal ?

Eddie Van Halen: "Ah, sim. Nós sempre nos entendemos. Para mim, parece que a imprensa fez mais escândalo sobre nossas porcarias do que realmente aconteceu. Porque todo mundo meio que se separa e tenta encontrar seu espaço próprio, você sabe, sem ressentimentos sobre nada".

Entrevista da Revista: 
RollingStone 
Edição: 1054 - Junho/2008

Alex Van Halen: O Retorno Triunfante do Van Halen (2008)Alex Van Halen está de volta à estrada com seu irmão Eddie Van Halen , seu sobrinho Wolfgang e David Lee Roth com a banda que leva seu nome. Faz quatro anos desde a última turnê do Van Halen , mas para eles foi como se tivessem viajado milhões de quilômetros. A banda sempre tocou o puro Rock´N´Roll. Grandes sucessos como ‘’ Jump” , ‘’Dance The Night Away” , ‘’Panama” , ‘’Runnin´ With The Devil” , ‘’Pretty Woman” e ‘’Hot For Teacher” são hinos que marcaram uma geração que ignorou o disco e o punk.

Da mesma forma que seu irmão Eddie toca sua guitarra de forma brilhante , Alex segura um groove de proporções titânicas , usando um kit colossal reforçado por dois bumbos , octobans e acessórios de percussão. Enquanto cita Ginger Baker e Buddy Rich como influências , o estilo de Alex sempre foi algo grande , agregando a energia de um tanque de guerra às músicas do Van Halen , combinando suas notas com o estilo agressivo de Eddie.

Mesmo com os rumores sobre a saúde de Eddie e seu forte temperamento , quando o Van Halen subiu no palco em Meadowlands , todos os pensamentos sobre problemas passados e ex-baixistas sumiram. E no centro da tempestade , olhando o passado , mas vivendo o presente , Alex mostrou maturidade com partes iguais de bom humor e alegria. Tocar bateria como terapia e elevação espiritual aqui e agora ? Alex faz isso.
Ed e Alex: Preparando a banda , quebrando o pescoço:
Modern Drummer: Já faz um tempo desde a última turnê do Van Halen. O que vocês fizeram para voltar à forma ?

Alex: Ed e eu tocamos todo dia , então não tivemos de voltar à forma. É uma disciplina forçada que temos , uma rotina. Tocamos uma vez por dia , todos os dias , por umas duas horas , às vezes menos , às vezes mais. Em algumas ocasiões as coisas evoluem. Ed possui idéias , e muitas vezes algo que eu esteja tocando também as trazem à tona. Mas não há um objetivo em mente. Não pensamos: ‘’Vamos fingir que somos criativos e gravar um disco”.

Modern Drummer: Qual é a sua configuração no estúdio ? Quantos bumbos ?

Alex: A única razão pela qual uso dois bumbos é que meu pé direito não é rápido o suficiente para realizar algumas coisas que gosto de fazer , especialmente em alguns shuffles. Quando se trata de ver o que realmente se precisa para tocar , você usa um hí-hat , uma caixa , um ride e um bumbo. Acho que quanto mais equipamento você usa , menos criativo você é. Em estúdio , normalmente uso uma caixa , um bumbo , um hí-hat e um prato. Talvez um tom. Descobri que usar um kit menor ajuda a ser criativo. Do contrário , caímos nos mesmos velhos padrões. Além disso , você pode se distrair com tanta coisa.

Modern Drummer: Sua técnica é muito elástica e flexível e seus pulsos são bastante soltos. No show de Meadowlands você tocou como se tivesse borracha nos braços. Além disso , seus toques de baquetas levantam-se bastante em relação aos tambores. Isso é resultado de se manter relaxado ? O que mais faz parte dessa sua abordagem ?

Alex: Em parte é porque tive problemas com tendinite. Para ser elástico ao tocar , você deve estar relaxado. Pratico a arte marcial Shodokan para me manter relaxado enquanto faço esforço. Cada pequena tensão cria um problema. É o tal clichê: eles te dizem para relaxar , mas é difícil fazer isso. Você tem de ser relaxado.

Modern Drummer: O que o levou a fazer artes marciais ?

Alex: Isso veio de um ferimento. Fraturei meu pescoço 20 anos atrás. Há dez anos , isso se tornou um problema. Eu estava usando um protetor de pescoço para mantê-lo alinhado. Se ele se desalinhasse , meu braço e minha perna poderiam dormir. Meu pescoço estava sendo estrangulado pelo tecido do disco.

Modern Drummer: Imagino que os médicos lhe disseram para não tocar bateria.

Alex: Claro! (risos) Começou em 1995 , quando fui à festa de aniversário de Wolfgang na Disneyworld. Caí sem razão aparente. Isso me remeteu às minhas quatro hérnias de disco e á fratura dos ossos do pescoço , causada por um acidente com esqui aquático. Após o acidente , fiquei paralisado por uma hora , então tudo voltou sem problemas. Dez anos depois , já que meu corpo estava contrabalançado por muito tempo , ele travou.

Modern Drummer: Você não sentia dores na coluna ?

Alex: Sim , mas ignorava. Quando desmaiei , no início da nossa turnê do Balance , não foi divertido. Então comecei a estudar artes marciais e trabalhar a postura com a técnica de Alexander , que mostra como usar o corpo corretamente.

Quebrando Tudo:

Modern Drummer: Inicialmente você usava a pegada tradicional ?

Alex: Sim , mas o som da guitarra e do baixo eram tão altos que tive que mudar para a pegada paralela. Ed e eu começamos tocando jazz. Nosso pai nos levava para clubes de jazz. Essa experiência ficou marcada profundamente em meu DNA. Eu entendo a relação entre a música e o público , e como funciona a sua dinâmica em uma noite.

Modern Drummer: Pode-se ouvir a influência do jazz na sua forma de tocar , pois sua técnica é solta e propulsiva ao mesmo tempo. Sua forma relaxada de tocar não é muito vista em estilos como Hard Rock ou Metal.

Alex: Nem sempre foi assim. Você passa por mudanças. Quando perguntaram a Ginger Baker qual é a função do baterista em uma banda , ele falou que era fazer os outros músicos rirem bem. Ele não falou isso com arrogâncias , mas agora entendo o que ele disse. Você pode-se encaixar na música. Você pode ser um Buch-Rich , mas não pode fazer tudo aquilo ao mesmo tempo em uma música simples , e sim o que aprimoram a ela. Jeff Porcaro compreendeu isso. De modo de como fazer as coisas se moverem sem pausar o que estava tentando fazer um solo. Nos anos 80 nossa música era um pouco bombástica. Tentamos nos posicionar como músicos e mostrar nossas melhores qualidades , esses elementos diferentes me levaram a levantar a mão e quebrar tudo.

Modern Drummer: Se vocês estavam fazendo isso no início de 1980 , como você compara ao estilo que você está fazendo agora ?

Alex: Ah...É refinado. Antes não queríamos que ninguém soubesse que passamos por um momento clássico e que nosso instrumento principal era o plano. Começamos com o jazz que era muito diferente do Rock’N’ Roll. Li um artigo interessante com o Steve Smith em que ele falou sobre as diferenças do tempo e a idéia de pulso. Era algo que sempre entendi , mas que não podia articular. A questão é que eu e meu irmão começamos tocando em dupla , queríamos groovar juntos. Quando estávamos elaborando uma música devendo à nossa formação clássica , sabíamos que deve-se as mudanças de dinâmicas e de ritmo em sua vantagem. A idéia de tentar criar um tempo estritamente metronômico é sem sentido. Quando você chega a uma parte que precisa de espaço , dá uma ralentada. Então acelera e sobe o volume. Quando escuto nossos antigos discos , o tempo flutua e a música respira. É algo orgânico Você nem espera nisso , pois está concentrado na música.

Modern Drummer: Mas o Van Halen provavelmente usou um click em seus últimos discos.

Alex: Aprendi como fazer isso. Em vez de tocar com o click , você pensa como se tocasse com outro membro da banda. Você pode tocar “ao redor” dele.
Devolvendo ao Universo:

Modern Drummer: Você segue um regime de prática , e isso o leva a um aquecimento antes da gig ?

Alex: Antes do show apenas toco rudimentos. Uma vez eu estava sentado no backstage com o baterista de Kenny Chesney , e ele me mostrou um exercício que nunca tinha visto. Você toca um shuffle com a mão esquerda , a semínima e duas colchelas pontuadas com a mão direita e então adiciona tercinas com seu pé direito , mas apenas os seus dois últimos toques. Você pode tocar a primeira nota da tercina com o hi-hat.

Modern Drummer: Essa prática é uma forma de manter as coisas interessantes para si mesmo ?

Alex: Estar em uma banda é muito mais que apenas música. Desde o começo eu tinha muito a aprender com os Beatles e o quão bem eles lidavam com a publicidade. Eu achava que o “A Hard Day’s Night” era de verdade. O impacto que a música pode ter na fabricação da percepção das pessoas acerca do que é popular , e como ela ressoa em um nível mais alto , sempre me fascinaram. Como essa banda pode ser maior que nós quatro ? Não é uma questão sobre mim e o meu espaço , e sim sobre nós.

Modern Drummer: Você quer dizer que se preocupa mais com a banda como um todo do que em trabalhar sua técnica ?

Alex: Sim.

Modern Drummer: Mas , como baterista , você deve manter suas habilidades.

Alex: Eu sei disso [risos]. É 90% pratica , e o restante é talento.

Modern Drummer: Então tocar bateria é uma coisa natural para você , como vestir um jeans ?

Alex: Ed e eu tocávamos piano , mas eu fui para a bateria. Quando a banda do meu pai ensaiava em casa , eu pulava no kit. Ele pareceu muito natural para mim. Se o baterista não podia tocar na gig do meu pai , eu podia substitui-lo.

Modern Drummer: Quanto tempo você se aquece antes de um show ?

Alex: Meia hora. Normalmente toco em um travesseiro. Não gosto de pad. Prefiro algo sem rebote. Tive o prazer de me encontrar e ter uma aula com Jim Chapin. Ele se sentou ao kit e me mostrou algumas coisas. Ele soa muito vivo , e aos , 80 anos! Quando ele terminou a aula , eu agradeci. E ele disse: “Isto vai lhe custar 80 dólares” [risos]. Eu paguei e dei a ele uma carona.

Modern Drummer: O que Jim te mostrou nesta aula ?

Alex: Apenas a técnica Moeller. Provavelmente não a estudei o tanto quanto deveria , mas eu a uso.

Modern Drummer: A técnica Moeller aparece em seus toques de baqueta bastante elevados ?

Alex: Um pouco , além do trabalho de tensão e relaxamento. Tenho feito isso por 40 anos , então quero ter certeza de que nada se quebre. Uso mais a técnica alemã que a francesa.

Modern Drummer: Você ainda tenta aprimorar suas habilidades como baterista ?

Alex: Bom , deixe o Vinnie fazer isso (risos). Brincadeira. Para tentar explica sobre do que tratam o ritmo e a bateria , isso vai além da mecânica. Vai além dos rudimentos. Vai além do fato de fazermos algo desta ou daquela forma. Vai além de alguém tocar um ritmo latino em 4/4 , o que chamamos de “latino de branco” quando não se toca da forma que deve ser. É tudo uma questão de variação. Mas por trás disso há o pulso , e acima disso a nossa experiência do que estamos fazendo. Se você está expressando a si mesmo , está devolvendo ao universo , seja conseguindo aplausos do público ou fazendo isso pela sua satisfação. É tudo sobre isso. Se você não gosta de tocar , então torna-se trabalho. Adoro aquela frase de Charlie Watts , quando pergunto o quanto estava gostanto da turnê. Ele falou: “É um trabalho muito árduo!”

Modern Drummer: Você se sente assim ?

Alex: Em 1995 sim , mas não nesta turnê. Quando se passa por problemas físicos e você deve fazer algo sem travar , então realmente é um trabalho duro.

Modern Drummer: Há coisas que você faz agora para garantir que nada trave ?

Alex: Existem coisas que eu não faço mais (risos).
A Busca pelo Som:

Modern Drummer: Você tem interesse em manter sua técnica de bumbo equiparada aos bateristas atuais ? Você escuta a alguns jovens que são rápidos nos dois bumbos , como Joey Jordison , Chris Adler ou Jason Bittner ?

Alex: Gosto de desafios , mas para mim deve haver adequação com a música que estamos tocando. De outro modo , não faz sentido. Mas , sob um ponto de vista estritamente mecânico , eu me impressiono com quem é apto a tocar assim.

Modern Drummer: Você não está preocupado em tentar adaptar essa técnica com o Van Halen ?

Alex: Não atualmente. Mas se eu apresentasse algo assim para Ed , ele escreveria algo baseado nisso.

Modern Drummer: Você é fã do John Bonham ? Analisa sua forma de tocar ?

Alex: O que eu realmente gostava é que Jimmy Page investia tempo para fazer o som da bateria uma parte integral do processo de gravação. Ed e eu sempre procuramos pelo melhor som e pelas melhores texturas.

Modern Drummer: Como você orienta seu técnico de bateria Scott Oliver , para afinar o kit ?

Alex: Temos uma passagem de som de uma hora em cada gig , e é quando eu afino. Como disse Buddy Hich , “Você não afina , você tensiona”. Em meus bumbos , quero punch. Se ele fica muito agudo , vai ressoar muito. Então o afino na região em que ele ressoe menos. Uso batedores de feltro , pois não quero dar chance de um batedor de madeira atravessar uma pele durante um show. Mas , em estúdio , uso madeira.

Modern Drummer: Seu kit de turnê , com dois bumbos , parece ter um bumbo extra ligado ao principal. Isso é por uma questão de sonoridade ou visual ?

Alex: O tambor externo ressoa. Há um bumbo grande , ligado à metade de outro bumbo. O tambor menor é preso ao tambor principal e vibra. Dá um som mais balanceado. Eu não queria quatro bumbos , mas queria mais de dois. Isso é meu parque de diversões , e se quiser usar tambores quadrados ou cem tambores , eu uso.

Modern Drummer: Como este kit difere dos seus mais antigos ?

Alex: Este é o kit com melhor som que já tive. Possui menos tambores que alguns de meus kits antigos. Para o som do kit no local , dependo do técnico de som. Muitos desses caras tiram apenas um som de “tick” e graves. Eles deixam as demais freqüências para os vocais , baixo e guitarra. É mais fácil de mixar. Errado.

Modern Drummer: Sua caixa sempre soou como um foguete.

Alex: É uma caixa Ludwig de madeira. Sempre usei um modelo Ludwig de aço , mas um dia meu técnico trouxe um tambor de madeira e socu bem. Não afino muito apertado , procuro o ponto doce. Se você aperta muito , soa como pipoca pulando. Muito grave também não soa bem. Anos atrás , os técnicos costumavam usar muita fita nos tambores para abafar a ressonância , mas agora não mais. Isso se tornou um problema , pois todas as notas em dinâmicas mais baixas se perdiam. Você conseguia o som claro que queria , mas o que mais ? Nada.

Modern Drummer: Você abafa a caixa ?

Alex: Uso todos os meus tambores bem abertos.

Modern Drummer: Pode-se ouvir isso no bumbo. Eles soam como canhões. Mas como isso muda no estúdio ?

Alex: É sempre o mesmo. E eu toco com o mesmo volume de dinâmica no estúdio. Quando gravamos , é como os Stones. Eles começam a tocar. Se o terceiro take é o bom , então é o escolhido. Ed e eu tocamos até nos sentirmos confortáveis.

Modern Drummer: Existe algum baterista , novo ou antigo , que inspire sua forma de tocar atualmente ?

Alex: Escuto a todos. Mas você acaba se inclinando ao material antigo que remete à memória de sua infância. Mas a música possui um fluxo constante.
Questões Familiares:

Modern Drummer: Qual a diferença no groove , tendo Wolfgang no baixo em vez de Michael Anthony ?

Alex: Eu nunca comparo as pessoas.

Modern Drummer: Por que não ?

Alex: Porque sempre haverá um perdedor e um ganhador , e não é questão disso. É como comparar Dave Wechl a Vinnie Colaiuta. Cada um é cada um. Competição só existe em esporte. Mas devo dizer que Wolfgang tem um belo groove. É difícil ouvir em um show ao vivo , mas quando gravarmos um disco você vai notar. Wolfgang é um músico. Volto ao que Steve Smith disse sobre a definição da diferença entre tempo e pulso. O pulso agora é muito profundo. Não consigo explicar , mas dá pra sentir. Eddie diria a mesma coisa: se Wolfgang não fosse capaz , sendo filho ou não , ele não estaria na banda.
Manutenção do Tempo e “Toad”:

Modern Drummer: O Van Halen sempre tocou à margem do tempo. Você trabalhou maneiras de estabilizar o tempo da época mais antiga ?

Alex: Como disse antes , fomos criados com música clássica , e aprendemos que uma vez que você muda a dinâmica , você altera o andamento. Isso não dói. Nosso tempo é elástico.

Modern Drummer: Você aborda o tempo de forma diferente atualmente ?

Alex: Se algo precisa acelerar , nós aceleramos. Como Vinnie disse para mim , quando o vi em turnê com Sting. “Vocês sempre soam como se estivessem mastigando o tempo”. Isso é uma coisa boa. Sou o primeiro a assumir que corro. Mas estamos lá para recriar uma música. Estaremos para atear fogo. Estamos lá para envolver o público naquilo que estamos fazendo. Não é uma via de mão única. O público faz parte dela.

Modern Drummer: Você tem espaço para improvisar nos shows ?

Alex: Sim , mas não quero poluir as coisas , fazemos fazer versões 2007 das músicas que tocamos de 1984. Não as tocamos da mesma forma. Seria um desserviço a nós e ao público. Nós tocamos lá para tocar um disco. Mostramos o que somos agora , tocando as músicas que não eram ouvidas há 23 anos.

Modern Drummer: Seu solo no Meadowlands combina três formas diferentes , usando padrões de dois bumbos e rulos simples entre suas mãos e os bumbos.

Alex: Eu não me lembro exatamente o que fiquei , embora toque algumas notas de toques simples no bumbo alternando um floor tom. É dividido em três diferentes partes. A primeira parte é meu tributo a Ginger Baker e minha lembrança da primeira vez que eu toquei “Toad”. É em 4/4 , mas o tempo muda , Baker é um mestre nisso. Meu solo surge em “Pretty Woman” , e começar com a idéia de Ginger , o ressoou natural. Se eu começasse a solar salude em “Hot For Teacher” , que era o plano original eu teria tocado algo diferente. Tudo é orgânico. A segunda parte do solo é quando eu uso um antigo flanger no som dos tambores. Faço tudo se sentir no momento. Então ela evolui e eu mudo o andamento de devagar para rápido e vice-versa o que atrai o público. A última parte é tirada de um ritmo latino , encerrado com as músicas que não tocamos ao vivo , como “Out Love Again”. Peguei pequenos trechos de músicas mais rápidas e pedi a Steve Porcaro para que os orquestrasse. Ele colocou alguns sons do NIN também. A parte sobre a base pré-gravada é toda em condições mistos , usando diferentes manulações que nem sei explicar , pois vou seguindo a melodia. Mas Steve teve problemas com eles , pois não está em uma métrica contínua.

Modern Drummer: Finalmente , você mencionou antes que um baterista natural. Isso significa que não precisa estudar para ainda ser um baterista de último nível ?

Alex: Não , eu tenho de praticar , e deveria ter estudado mais quando comecei. Steve Smith é muito dedicado , e tem boas idéias. Se eu estivesse começando , falaria com ele. Na música , você não pode conseguir sozinho um esforço de grupo. Tenho amizade com pessoas que conheço por 35 anos. Quantas pessoas tiveram um relacionamento desse tempo ?
Entrevista da Revista:
Modern Drummer
Edição: 65 - Abril/2008


Sammy Hagar: "Carreira Solo, Van Halen & Chickenfoot" (2008)
Jeb Wright, do site “Classic Rock Revisited”, recentemente conduziu uma entrevista com Sammy Hagar, ex-vocalista do VAN HALEN, que falou sobre sua carreira incluindo, obviamente, os grupos pelo qual passou e o seu envolvimento com o CHICKENFOOT.

Classic Rock Revisited: Você sempre priorizou a música, seja nos WABOS, no VAN HALEN, na sua carreira solo ou no MONTROSE. Eu acho que os fãs reconhecem isso e é por isso que eles o amam.

Sammy: "O motivo pelo qual eu tenho seguidores fanáticos é porque eu sempre estou detonando. Goste ou não da minha música, da minha banda ou das minhas músicas, eu estou por aí tocando, vou continuar tocando e gostando de fazer isso. Tomara que a minha nova banda, CHICKENFOOT, preencha aquele espaço que antes era do VAN HALEN, para mim e para meus fãs. Tem um super-guitarrista, Joe Satriani, e também tem Chad Smith na bateria e o Michael Anthony no baixo e cantando. Nós temos aquela química que havia no VAN HALEN. Quando nos juntamos, começamos a rir e a nos divertir, e a música jorra de nós. Eu estou muito contente de estar num ambiente criativo como esse com outras pessoas de novo".

"Minha banda é criativa, não me entenda mal. Eles são minha banda solo e sempre serão minha banda. É como o Bruce Springsteen e a E STREET BAND, eles fazem o pano de fundo para o Bruce. Quando você junta outro tipo de banda, onde um inspira o outro e tenta tocar melhor que o outro e o empurra até o limite, e não sou eu que estou no comando do show – é isso o que era o VAN HALEN. Eu amo esse sentimento. Era assim também no MONTROSE e no HSAS. Todos traziam idéias e não era um lance solo. Eu estou apreciando muito esse momento com o CHICKENFOOT".
Classic Rock Revisited: O nome da banda vai ser CHICKENFOOT mesmo?

Sammy: "Digamos que amanhã a gente mude o nome para THE BROWN BOYS. Vamos lançar um disco e as pessoas vão dizer, 'você já ouviu o THE BROWN BOYS?' Daí o outro pergunta 'quem são esses caras?', e a resposta vai ser 'é o antigo CHICKENFOOT'. Não importa pra qual nome nós mudemos, todo mundo vai se referir a nós como CHICKENFOOT. Pra mim é mais do que apenas um nome besta. A banda é 'funky' e é como um pé de galinha andando pelo galinheiro. Por baixo e sujo".
Classic Rock Revisited: Vocês já tem algum cronograma ?

Sammy: "Espero que tudo esteja pronto no verão (no hemisfério norte) do ano que vem. Nós queremos lançar um CD e sair em turnê. Nós queremos levar nosso trabalho para o mundo, esta banda é muito boa. Só de olhar para os quatro integrantes já dá pra dizer que é boa. Agora, imagine quando os quatro integrantes têm uma ótima química, daí já dá pra saber o quanto isto será bom. Todo mundo leva os outros para um nível diferente. Você pode pegar os melhores músicos do mundo e colocá-los numa banda, se não houver química a banda vai ser uma bosta. Você pode colocar bons músicos numa banda e ter uma boa química, como os Beatles tiveram, e você tem a melhor banda do mundo. Não dá pra comparar George Harrison a Eddie Van Halen na guitarra, mas o processo criativo que aqueles caras alcançaram, isso não dá pra comparar ao Eddie Van Halen, a mim ou a qualquer pessoa".

Classic Rock Revisited: "Como você é uma pessoa honesta, eu gostaria de saber a sua opinião sobre uma coisa. Eu não pude ver o Van Halen nessa última turnê. Mas eu não consigo parar de pensar que foderam o Michael Anthony. Eu gostaria de saber se você acha que foderam o Michael.

Sammy: "Totalmente. Eu estou arrastando o Michael pelo país – eu tenho um baixista que toca e canta. Ainda assim, eu ainda prefiro trazer o Michael pelo país comigo. Eu amo o cara. Ele é mais engraçado que todo o resto do Van Halen junto. Em razão dele ter sido zoado, eu não consigo ir tocar em qualquer lugar no mundo sem perguntar ao Michael, 'você quer vir?' Em noventa por cento das vezes ele diz 'sim'. Foderam com ele e foi horrível. Eu não vou aqui querer dizer 'porquê e o que', eu não faço idéia do motivo. Mais uma vez, eles não conseguem fazem um álbum há quinze anos e então eles chutam o Michael Anthony da banda no momento em que vão fazer uma reunião que todos os fãs do Van Halen estavam esperando desde os anos 1980. Os fãs aguardaram essa reunião e eles (VAN HALEN) fizeram do jeito errado. É mais um ponto contra esses caras. Eles não são saudáveis, mentalmente falando, e tomam decisões erradas. Eles não pensam nos fãs nem por um segundo, o que não é bom".

Classic Rock Revisited: Uma vez eu ouvi dizer que você e Eddie brigaram dentro de um avião, no meio do vôo, e que o Eddie tentou quebrar uma janela do avião. Isso é verdade ?

Sammy: "É, é verdade. Ele tentou quebrar a janela com a mão até que se machucou. Daí ele tentou quebrar a janela com uma garrafa de vinho até que o Alex pulou em cima dele, tomou a garrafa de sua mão e o acalmou. Eu ia sair da banda no dia seguinte, mas já tínhamos quarenta shows marcados e eu não poderia fazer isso com os fãs. Eu achei que não seria legal queimar os fãs desse jeito. Eu sabia que eles (VAN HALEN) iriam fazer de mim o vilão. Mas eu me neguei a viajar no mesmo avião com esse cara de novo. Ele estava completamente fora de si de tão bêbado. Ele estava totalmente zoado. Ele estava tão zoado que foi estúpido o suficiente pra derrubar doze pessoas. Gente assim não deveria ter permissão pra viajar em aviões, e provavelmente não têm, mas nós estávamos voando em um avião exclusivo. Eu disse: 'o único jeito de eu continuar a turnê vai ser se eu tiver o meu próprio avião'. Eles pagaram pelo meu avião".

Entrevista do Site:
Classic Rock Revisited
Novembro/2008


Sammy Hagar: "Hall da Fama" (2007)
Sammy Hagar comentou em entrevista a Kevin C. Johnson, do SLtoday.com, sobre a situação do Van Halen e a oferta de US$80 milhões que recebeu pela sua marca de tequila.

STLtoday.com: Qual a sensação de ser um integrante do "Hall da Fama"?

Sammy Hagar: "É realmente emocionante, estar lá ao lado Keith Richards e pessoas que admirei por toda minha carreira. Meu nome está exposto junto ao de meus heróis, e isso realmente afetou minha auto-confiança, como me sinto sobre onde estou e o que fiz na música. Foi uma sensação de conquista".
STLtoday.com: Depois de tudo que alcançou nas últimas décadas, como ainda pode falar sobre conquista e auto-confiança?

Sammy Hagar: "Você ficaria surpreso. Há sempre alguém me criticando, desde que me reinventei em 1996 após sair do Van Halen e parei de ser aquele cara do Heavy Metal e do Rock para ser um cara com estilo de vida. Ouvi de críticos e fãs que achavam que eu era muito vendido. Estou sempre recebendo ataques. Agora você pode atacar o que quiser, mas tenha cuidado. Você pode atingir Keith Richards".

STLtoday.com: Como se sente em relação a tantos membros do Van Halen não terem aparecido na cerimônia de entrega do Rock and Roll Hall of Fame? (Apenas Sammy Hagar e Michael Anthony apareceram; Eddie Van Halen esteve entrando e saindo da reabilitação este ano.)

Sammy Hagar: "Foi vergonhoso, o único contra de uma coisa positiva gigantesca. Se Ed pudesse ter ido, e se nós cinco, incluindo Dave (o vocalista David Lee Roth), estivéssemos lá, pois ele faz parte tanto quanto eu, teríamos jogado toda a merda pela janela e tocado quatro ou cinco canções. Teria sido a melhor de todas as premiações". "O Van Halen é uma das mais poderosas bandas do mundo, e queríamos aceitar isso com dignidade e fazer a coisa certa. Mas o Van Halen nunca fez a coisa certa. O Van Halen sempre fez tudo errado e de trás pra frente, e essa foi a cereja em cima do sorvete. Estragar aquilo faz todo o sentido do mundo".
STLtoday.com: O que acha da natureza de idas e vindas da turnê do Van Halen este ano (uma planejada turnê de reunião que não deu certo)?

Sammy Hagar: "Eu presto atenção nisso tanto quanto não gostaria. É como ver seus irmãos e irmãs fazendo besteira. Eu disse a Alex (Van Halen) e aos outros que não estou interessado numa reunião do Van Halen neste ponto de minha vida. Eles precisam fazer uma com o Dave para os fãs primeiro, e daí sair dessa. Estou me divertindo bastante com o WABOS e a maneira como aproximamos nossa música e nossas vidas. É tão recompensador e divertido que não consigo me imaginar fazendo qualquer outra coisa agora".

STLtoday.com: Você acha que eles farão turnês novamente?

Sammy Hagar: "Depois que saí, eles fizeram turnês apenas duas vezes, uma com Gary (Cherone) e outra comigo. Fora isso, nunca mais fizeram. Há algo de errado. Não acho que vai dar certo. Eles tentaram de novo e de novo, e não conseguem. Não sei qual é o problema, pois não estou lá para ver, mas deve ser algo bem feio".

STLtoday.com: É verdade que você fechou uma parceria de US$80 milhões da sua marca de tequila Cabo Wabo com a Skyy Spirits (grande companhia da área de bebidas)?

Sammy Hagar: "É verdade. Consegui parceiros que são alguns dos maiores distribuidores do mundo. Precisava de alguém que levasse a coisa ao estágio seguinte, então fiz o acordo para distribuição mundial. Me deram tanto dinheiro que chega a ser estupidez. Mas tendo sido um Rock Star cheio da grana por tanto tempo, dinheiro não significa tanto pra mim. Não se trata de dinheiro, espero que todos creiam nisso. Já possuo tudo que gostaria. E se Jimmy Buffett (cantor e compositor norte-americano) acordasse um dia com a minha grana, ele arquivaria o Capítulo 11 (o último de sua autobiografia)".
Entrevista do Site:
SLtoday.com 
Junho/2007

Eddie Van Halen: Curado do Câncer !!! (2006)
Conforme publicado recentemente, a entrevista de Eddie Van Halen ao radialista Howard Stern foi mesmo permeada por loucuras e verborragia. A conversa do lendário guitarrista com o polêmico apresentador foi transcrita pela revista Rolling Stone e aqui estão os melhores momentos:

RollingStone: Sobre curar o câncer da língua sem quimio ou radioterapia:

Eddie Van Halen: "Curei meu câncer de um jeito que não é necessariamente legalizado nos E.U.A. Eu contaria, mas não quero ir pra cadeia. Quando você toma remédio, você só espanta a doença. Câncer é como barata, só volta mais forte a cada vez. Estou esmiuçando o sistema interno de uma barata pra saber como ela funciona".
"Para isso, abri meu próprio centro de patologia. Alguns abrem bares no México, outros curam câncer. Tiraram pedaços saudáveis da minha língua e criaram células saudáveis fora de meu corpo para os testes. Estou sem um terço da minha língua, fui massacrado. Não parei de fumar, entretanto, porque não tive câncer por causa disso".

RollingStone: Sobre o filme pornô para o qual fez a trilha sonora:

Eddie Van Halen: "Eu não chamo de pornô. É sexo. É como 'Coração Valente', mas com ejaculações. Todo mundo está me dizendo o que acha isso, mas se não houvessem trepadas e esporradas, ninguém me diria o que acha".

RollingStone: Sobre o talento "perigoso" de seu filho, Wolfgang:

Eddie Van Halen: "Ele toca guitarra, baixo e bateria. Ele é perigoso! Se eu me aperfeiçôo na velocidade do som, ele se aperfeiçoa na velocidade da luz. Ele só tem 15 anos de idade e já está transando! E se masturbando pra caramba também. E eu sei disso porque ninguém passa 45 minutos no banheiro só tomando banho".
RollingStone: Sobre reuniões do Van Halen, tocar com David Lee Roth ou Sammy Hagar:

Eddie Van Halen: "Estou aberto a praticamente tudo, mas Michael Anthony está fora. Ele está em turnê com o vermelhinho lá [Sammy Hagar], chamando a si mesmos de 'outra metade do Van Halen'. O Van Halen somos eu e meu irmão Alex. É nome de família. E adivinhe? Tem um integrante novo. Meu filho. Mas eu tocaria com Hagar ou com Roth sem problemas".
Entrevista do Site:
RollingStone.com
 
Setembro/2006

Sammy Hagar: Cabo Wabo, Tequila, Carreira Solo & Van Halen (2006)
Seguem alguns trechos da conversa do repórter Alan Sculley, do ‘The Californian’, com Sammy Hagar:
 
The Californian: Sobre a turnê de reunião do Van Halen em 2004:

"Não foi uma boa experiência. Enquanto estávamos no palco, os fãs tornavam a experiência fantástica com sua receptividade e intensidade. Nós nos olhávamos e pensávamos ‘Meu Deus, esta é a melhor coisa do mundo!’, então deixávamos as diferenças de lado. Mas, no momento em que deixávamos o palco ou quando nos preparávamos para entrar em cena, eu não conseguia nem chegar perto de Eddie Van Halen". "Não sei quando será possível vocês verem a banda junta novamente. A deixamos de lado até que alguém consiga uni-la. No momento, há uma pessoa que não está disposta a fazê-lo”.

The Californian: A respeito dos shows de sua última turnê, com direito à comida mexicana, bebida (especialmente tequila), voleibol, e muito mais:

"É um sonho realizado. A tequila nem é tão importante, ela é apenas o combustível. Na verdade é um festival Cabo Wabo. Tem a ver com o que acontece em Cabo San Lucas: o estilo de vida, a comida, a música, toda a atmosfera”.
The Californian: Sobre seu novo álbum solo, ‘Livin' It Up’:

"É basicamente a respeito de meu estilo de vida. É o que melhor expressa o ponto de minha vida em que estou agora; continua sendo um álbum de Sammy Hagar, porém feito para meus fãs. Não há raiva nele, pois hoje estou em uma fase de minha vida completamente diferente. No caso de você ser um fã fervoroso de MONTROSE ou algo parecido, você dirá: ‘Não sinto a raiva. Ele não está atacando ninguém’. Isso realmente não está no álbum”.
The Californian: A respeito de sua declaração de uma reunião do Van Halen apenas acontecer no caso de mudanças significativas no comportamento e disposição de Eddie Van Halen:

“Não podia nem chegar perto dele. Se não nos mantivessem longe um do outro, iríamos nos atracar. Tenho minhas crenças, e não são a respeito de como as coisas devem ser feitas, mas creio que devemos nos preocupar com o que estamos fazendo e, no mínimo, tocar as malditas músicas direito. E isso não acontecia em nenhuma noite. Algumas vezes, seu irmão, Alex, me olhava, e eu lhe perguntava que música Eddie estava tocando. Sei lá, em primeiro lugar, acho que não era justo com os músicos e com todos os outros se apresentar nas condições em que ele se apresentou em 99% dos shows. Algumas apresentações foram brilhantes. Houve vezes em que, mesmo levando em conta suas condições, ele chegava lá, mas não era suficiente para mim. E, se pensarmos no valor do ingresso, sinto muito, algumas vezes eu ficava envergonhado”.

The Californian: Sobre Eddie Van Halen durante a turnê de 2004:

"Nunca vi alguém com tantas mudanças de personalidade em minha vida. Ele costumava ser uma pessoa extremamente gentil e humilde e um músico solícito. Quando ele pegava sua guitarra, mesmo quando estava bebendo no passado, sempre sabia o que estava fazendo. Nesta última turnê, ele estava diferente. Não sei o que aconteceu”. "Hoje, vejo o Van Halen como meu projeto paralelo, e espero não ofender as pessoas com minha declaração. Me dedico tanto a minha banda no momento e montamos o melhor show da minha vida, música a música, centavo a centavo. Este é o show! Não abriria mão disso por nada, muito menos por uma versão meia-boca do VAN HALEN. Se conseguirmos fazer da maneira como deve ser feita, com certeza estarei lá. E estarei lá de corpo e alma”.

Entrevista do Site:
The Californian
Julho/2006


Eddie Van Halen Cansado De Virtuosismo (1999)Eddie Van Halen - “Estou cansado de virtuosismo!” O que se pode falar de Eddie Van Halen que todo mundo já não saiba: ele foi o responsável por uma verdadeira revolução no mundo da guitarra. Assim como Hendrix, ele rompeu barreiras, destruiu tradições e estabeleceu um novo conceito na abordagem do instrumento. Depois de inúmeras tentativas frustradas - Eddie nunca estava disponível para fazer entrevistas para o Brasil - a COVER GUITARRA finalmente conseguiu contactá-lo. Com exclusividade, Eddie Van Halen conta um sem número de segredos guitarrísticos para vocês, como ele jamais fez em qualquer outra oportunidade (ao final da entrevista, Eddie fez questão de agradecer, dizendo que tinha sido uma das conversas mais agradáveis que ele já teve com a imprensa). Orgulhosos e contentes, trouxemos a vocês tudo aquilo que conseguimos extrair do Mestre. Divirtam-se!Cover Guitarra: Você poderia contar aos nossos leitores algumas peculiaridades sonoras a respeito desse disco, que fossem diferentes de tudo que você já vez?

Eddie Van Halen: Bom, a coisa mais marcante foi o fato de ter feito os vocais principais em “How Many Say I”, além do que as letras surgiram antes que as melodias, ao contrário de todos os outros discos. Eu mesmo participei da elaboração dessas letras, como em “Without You”, que eu compus no banheiro do estúdio. Achei o resultado tão legal que mandei instalar lá uma unidade móvel de gravação, com um gravador Tascam DA88 e um mixer (risos). Em “Primary ” - que serve de introdução para “Ballot and the Bullet” - eu usei uma velha Danelectro Coral Sitar. Na própria “Ballot...”, usei um dobro com slide, e a miniatura da Peavey Wolfgang do meu filho para fazer o solo. Em “Once”, fiz um solo num baixo de seis cordas, e em “Dirty Dog”, uso apenas um único pedal, que foi um Whammy.

Cover Guitarra: Não pude deixar de notar que os seus solos estão muito mais concentrados na melodia da canção do que antigamente...

Eddie Van Halen: Pois é, os solos deste novo disco estão entre os mais ‘humanos’ que já compus. Não fiquei preocupado em impressionar ninguém, mas sim em transmitir emoções reais. Se você e seus leitores escutarem com atenção, vão notar que eu até chego a errar em alguns deles. Mas preferi mantê-los, em nome de uma sinceridade para com o ouvinte. Também pensei que, se revelasse isso, eu talvez pudesse fazer com que a pessoa ouvisse esse disco várias vezes, pois só assim as músicas serão compreendidas na sua essência. Hoje, dou muito mais valor aos solos feitos com acordes do que aquela loucura toda de antigamente. Eu nem penso mais em seguir essa linha de virtuosismo. Estou cansado disso. Quanto menos eu pensar nisso, melhor. O que costumo dizer é que os solos são como uma trepada: se você ficar preocupado com o seu desempenho, você está ferrado! (risos).

Cover Guitarra: Já que estamos falando em solos, aquele que você compôs para “Beat It”, do Michael Jackson, é considerado um dos momentos mais brilhantes da sua carreira. Você concorda com isso? Você poderia nos contar um pouco a respeito dessa gravação?

Eddie Van Halen: Sim, eu também acho isso. Me lembro perfeitamente da liberdade com que Quincy Jones (produtor do referido disco) me deixou no estúdio, não estabelecendo nenhum tipo de regra ou orientação sobre o que eu deveria fazer naquela música. Acabei fazendo esse solo como que um teste e ele acabou valendo. Só que o técnico de som teve um trabalho imenso para editar a música em função dele, pois ali a coisa funcionava com uma base-guia ‘qualquer nota’ e o vocal do Michael. Todo o restante foi composto pacientemente nos meses seguintes.

Cover Guitarra: Como surgiu “Eruption”? ‘guitarristicamente’ falando, ela é, na minha opinião, a mais revolucionária peça musical de todos os tempos.

Eddie Van Halen: Gostei do termo ‘peça musical’ (risos)... Foi a primeira coisa que compus na afinação em G (Sol) aberto, mas apenas como um exercício de aquecimento. Uma noite, estávamos no estúdio gravando nosso primeiro disco quando comecei a tocá-la, de brincadeira. Nosso produtor, Ted Templeman, ficou tão surpreso com aquilo que exigiu que eu gravasse. O pior é que eu nem sabia tocar aquilo direito... (incrédulo) Desculpe, mas eu acho que não entendi direito...

Cover Guitarra: Você disse que não sabia tocar “Eruption” de uma maneira correta?

Eddie Van Halen: (com muita simplicidade) É. Se você e seus leitores prestarem atenção, há um pequenino erro no finalzinho dela. Se Ted tivesse me dado mais tempo, eu a teria gravado de uma maneira melhor. Aliás, nosso tempo de estúdio era tão curto que o primeiro disco foi gravado praticamente ‘ao vivo’ lá dentro. For Unlawful Carnal Knowledge demorou um ano para ser gravado, enquanto Balance foi escrito e gravado em quatro meses, principalmente pelo bom trabalho do produtor Bruce Fairbairn. Aliás, acho que o principal papel do bom produtor é criar um astral legal no estúdio.

Cover Guitarra: Como funcionava o seu processo de composição naquela época?

Eddie Van Halen: A maioria das músicas dos três primeiros discos surgiram de idéias que eu tinha na hora de dormir. E das jams que eu fazia com meu irmão. Depois, levava a espinha dorsal dos arranjos para o restante do grupo. A melhor maneira de compor é aquela em que você se livra de todos os pré-conceitos com relação ao formato do que deve ser uma música. Eu nunca consegui sentar no estúdio e dizer para mim mesmo “agora vou compor uma canção!”. Na única vez em que fiz isso, compus “Amsterdam” (do disco Balance), música da qual não sinto muito orgulho.Entrevista da Revista:
Cover Guitarra
Edição: 53 - Abril/1999


O Terceiro Tempo Do Van Halen (1998)No lançamento do disco novo, o Van Halen deu uma entrevista que foi ao ar nas principais rádios norte-americanas e em alguns sites pela Internet. Sutilmente, evitaram falar de Hagar. A Revista Rock ouviu, gravou e selecionou os melhores trechos dessa conversa.

89 A Revista Rock: Qual foi a primeira impressão quando Gary entrou no estúdio?

Eddie Van Halen: Não havia dúvida a respeito do talento de Gary. Ele chegou de um vôo de cinco horas de Boston até Los Angeles, e estava lá com sua bagagem na mão. Tinha acabado de sair do carro e eu saquei que não havia nenhum sinal de "LSD", a Lead Singer Desease (mal do vocalista). Nos afinamos musicalmente e também no lado pessoal. Além disso, ele se parece muito com um irmão que não vejo faz tempo.

89 A Revista Rock: Gary, quais eram suas impressões sobre a banda?

Gary Cherone: Eu ouvia algumas músicas e sempre achei que eles eram uma banda muito boa. Bem, qual é a diferença entre um simples fã e um fanático? Acho que eu estou mais para fanático. (risos)

89 A Revista Rock: E vocês, eram chegados no Extreme?

Michael Anthony: Na verdade, eu encontrei Gary há uns cinco, seis anos tocando com o Extreme em uma convenção mundial chamada MAM (Music and Merchandise Show). Eles eram uma banda legal.

89 A Revista Rock: Ballot or The Bullet, do novo disco, tem uma letra forte, que fala de liberdade e da luta para conquistá-la. De quem é a letra e como rolaram as letras de "3"?

Gary: "Ballot or The Bullet" foi escrita pelo Alex...Alex Van Halen - É, eu guardei o título de um discurso do Malcom X na cabeça por alguns anos e, de alguma forma, isso me inspirou a escrevê-la. Esta música conta parte de uma história. Ela fala, de maneira geral, sobre juntar pedaços.Eddie - Todo o processo das letras foi muito aberto, muito rápido... Eu continuo me desculpando porque, quando algo vem à minha cabeça, eu tenho cinco idéias muito rápidas e digo "tente isso, tente aquilo, é daquele jeito" e algumas vezes sobrecarrego o Gary, mas foi uma colaboração verdadeira.

89 A Revista Rock: Vocês filmaram o video de "Without You" num iglu mesmo?

Alex: A locação escolhida foi um hotel na Suécia chamado "O Hotel de Gelo", que fica ao norte do Círculo Ártico. O lugar é construído durante o inverno e eles desmontam no verão, o diretor pensou que, por causa da natureza da canção, uma construção congelada seria uma boa maneira de passar o que aquela mulher sente quando é abandonada. Foi mais ou menos o que interpretamos. Se isto bate com a letra ou não, naquela altura era um pouco tarde para voltar atrás e fazer qualquer mudança, porque já tínhamos filmado no hotel.
89 A Revista Rock: Foi a maior roubada?

Alex: Na verdade, não tínhamos tempo pra ficar na Suécia, então recriamos parte do hotel em um cenário aqui mesmo em Los Angeles.Eddie - Poderiamos ter usado plástico ou qualquer coisa para simular o efeito do gelo, mas queriamos que o video ficasse o mais realista possível. Então, havia caminhões de gelo chegando a toda hora, serras elétricas esculpindo tudo... Foi como se estivéssemos numa grande geladeira por dois dias. Tem uma cena em que eu me encosto numa cadeira de gelo e fico colado nela, como se tivesse colocado a língua num poste no inverno.

89 A Revista Rock: Perguntinha óbvia: o disco novo se chama "3" por que esta é a terceira encarnação do Van Halen"?

Alex: Na verdade, eu queria chamá-lo de "Van Halen Um". Essa não é encarnação do Van Halen, mas eu, Ed e Mike sempre estivemos aí, fazendo música.

89 A Revista Rock: E a capa, o que há por trás daquela imagem do cara aguentando uma bala de canhão na barriga?

Alex: Ela reflete como nos sentimos, e tem o objetivo de ironizar a situação em que estávamos na época e também refletir o senso de humor que há entre nós quatro. Apesar de estarmos com Gary há mais de um ano, no periodo em que estávamos juntos, reunindo as idéias de "3", as coisas ainda estavam acontecendo e a poeira ainda não havia baixado. Era mais ou menos assim que a gente se sentia, aguentando tudo o que diziam.89 A Revista Rock: Gary, como foi o fim do Extreme e a entrada no Van Halen?

Gary: Foi uma mistura de emoções. Em 95 o Extreme terminou e, antes mesmo que tivesse tempo para me lamentar, rolou a oportunidade de trabalhar com esses caras. Por isso saí de uma depressão para voar alto com o Van Halen e venho me mantendo lá em cima desde então.

89 A Revista Rock: É verdade que "New World" e "Without You" foram escritas momentos depois de vocês se conhecerem?

Eddie: Sim, em 45 minutos de som fizemos as duas músicas... Primeiro Gary apareceu e fizemos um som. Quando ele deu uma parada, fui ao banheiro e podia ouvir Al (Alex) tocando uma batida. Aí saiu a letra e a melodia de "Without You" - "Hey you / wake up / get yourself together...". Sabe, naquele momento, não importava quem chegasse com uma semente de idéia. Foi um fenômeno estranho que aconteceu quando estávamos todos reunidos ali, com Mike Post (co-produtor do disco). Era como uma bola de neve.

89 A Revista Rock: Mas vocês ainda levaram 14 meses para terminar o disco. Por que?

Eddie: Na verdade não foi bem assim, porque não começamos realmente naquele momento. Na verdade, começamos a trabalhar mesmo no disco em abril de 97 e terminamos em 30 de setembro. A gravadora não tinha uma data confirmada de lançamento, então continuamos a mexer aqui e ali até o prazo final.

89 A Revista Rock: E a resposta dos fãs a esta nova fase?

Alex: Pessoas sentirão que somos verdadeiros... que não há uma nota ou uma letra sequer que esteja lá por algum motivo que não a música em si. Nossas músicas vêm do coração, não seguimos tendências, nem somos a bola da vez. Somos exatamente o que somos: pessoas normais apaixonadas pela música e ela é a nossa vida.89 A Revista Rock: Durante toda a gravação do disco rolaram boatos sobre a saida de Gary ou qualquer coisa parecida...

Eddie: Quando terminamos de gravar o disco fomos todos para casa e Gary foi para sua cidade, Boston. Os boatos dão conta de que ele saiu da banda, certo? Bem, sempre que há férias nós o "demitimos" e, sempre que as férias acabam, nós deixamos ele entrar na banda de novo. (risos) Gary - Nunca houve nenhuma tensão entre nós quatro. Acho que esses boatos aconteceram por duas razões. A primeira, porque nós decidimos continuar no estúdio e nessa época foram suspensos todos os comunicados à imprensa. Queriamos esperar e deixar que a música falasse por si mesma. E a segunda razão foi que, toda vez que eu ia para casa passar o Natal ou qualquer feriado, eu era "chutado" da banda. Então... era só bobagem.

89 A Revista Rock: Por que trabalhar com Mike Post, que co-produziu o disco com você, Eddie?

Eddie: Ele era o cara que mais nos encorajava, mesmo que não nos víssemos por um bom tempo. Na cabeça de um monte de gente, o trabalho dos produtores deve ser diário, supervisionando o projeto. Não na minha. Ele só dizia "me chame se precisar de mim". E algumas vezes ele chegava e dizia: "que diabo é isso que vocês estão tocando?" (risos). Nós discutíamos algumas coisas e ele ganhava de um lado, eu ganhava de outro. Mas, no final das contas, éramos nós cinco que fazíamos tudo.

89 A Revista Rock: E como vocês acham que os fãs vão reagir a alguns sucessos antigos do Van Halen que Gary vai ter de se virar para cantar ao vivo?

Eddie: Bem, o Gary já pegou todas as músicas antigas que vamos tocar nos shows. Não deve ter sido dificil pra ele, foi Gary?Gary - Dificil? Não..
89 A Revista Rock: Como vocalista, Gary trouxe algo de novo para o Van Halen? Tipo, com a voz dele deu pra explorar outros lados das composições de vocês?

Eddie: É... existem dois lados nesta questão. Sempre houve música, só que nunca tivemos ninguém para cantá-la. Pegue uma canção como "Right Now", por exemplo. Ela foi escrita em 1983, mas não foi lançada até 91. E não foi por minha causa, ou do Mike ou do Alex. Estou dizendo a mais pura verdade! O grande lance em Gary é que ele é um cara aberto. Nós todos ouvimos uns aos outros. Se, quando saímos do estúdio.

89 A Revista Rock: Neste disco parece que vocês buscaram novos sons como na introdução de 'Dirty Water Dog'...

Eddie: As baterias iniciais são samplers que criamos e depois passamos para as baterias verdadeiras. Mas o barulho de escova que você ouve, na verdade, foi feito por mim mesmo no piso externo do estúdio e o ritmo foi seguido pelo engenheiro Rod Steigletz com quem terminamos de finalizar o disco. Enquanto eu desparafusava o cabo da escova e andava por todo o palco, ele me seguia com o microfone e eu não podia ouvir a música. Exatamente no final, você pode me ouvir dizendo "ah, merda!" Nós cortamos a última sílaba, mas mesmo assim dá para perceber.89 A Revista Rock: E de onde vem a inspiração?

Eddie: Por alguma razão que eu desconheço - não sei se fui concebido ou nasci no banheiro - mas tudo me leva a crer que a inspiração chega quando estou sentado na privada. Bem, na verdade, tenho um estúdio no meu banheiro. Sério! (risos)

89 A Revista Rock: Alex, pra finalizar, tem uma história sobre como seu pai ensinou a você e ao Ed sobre o mundo dos negócios na música. Como é essa parada?

Alex: Ed e eu tocávamos em um clube, durante os intervalos das apresentações do meu pai (Jan Van Halen, clarinetista). Meu pai estava tocando e Ed e eu haviamos trazido um amplificador, uma bateria e nos instalamos no meio da pista de dança. Aí, durante o intervalo começamos a tocar. Só tocamos umas cinco ou seis músicas e nos divertimos muito. Por volta da segunda música, meu pai estava andando ao redor das pessoas que nos cercavam com um chapéu na mão, recolhendo dinheiro. No final da noite, contamos o dinheiro arrecadado no chapéu e havia uns 17 ou 18 dólares lá dentro. Ele deu uns dois dólares pro Ed e outros dois pra mim e eu disse "Aqui tem só quatro, onde estão os outros 13 dólares?" E ele respondeu: "Bem vindo ao mundo dos negócios, meu filhou".

Entrevista da Revista:
89 A Revista Rock
Edição: 04 - Julho/1998


Os Três Lados da Mesma História (1998)
Foi com muito prazer quando soube que o baixista Michael Anthony concordou em dar uma entrevista para a Dynamite, falando sobre a nova fase da banda, depois dos 2 últimos e tumultuados anos. Com "Van Halen III" já nas lojas e Gary Cherone efetivado como vocal, chegou a hora de botar os pingos nos "is".

Revista Dynamite: "Van Halen III" mostra um som mais pesado que os últimos albuns. Reflexo de voltar a ativa depois de 3 anos?

Michael Anthony: Nós não paramos nenhum minuto nesses 3 anos. Depois do nosso último album de estúdio, nós trabalhamos na trilha sonora de "Twister" e em seguida encaixamos o "Best Of". Tão logo concluímos que não daria para voltar a tocar com David Lee Roth, começamos a pensar em outro vocalista. Achamos Gary, a química rolou legal e em junho de 1997 entramos em estúdio novamente para gravar o "Van Halen III".

Revista Dynamite: E como tem rolado a química com Gary? Vocês chegaram a fazer audições com outros vocalistas?

Michael Anthony: Tínhamos alguns vocalistas em vista, mas nosso empresário veio com o nome de Gary, dizendo que o Extreme tinha acabado, e que devíamos tentar primeiro com ele. Foi um tipo de "amor à primeira vista" surpreendente, pois logo no primeiro ensaio começamos a compor !

Revista Dynamite: Deu também para perceber que as letras enfocam outros temas. Quais você destacaria?

Michael Anthony: Tanto David quanto Sammy escreviam de uma forma meio padrão, e Gary realmente escreve letras melhores, mais profundas e variadas. Poderia citar "Year To The Day", "Dirty Water Dog" e "Without You".

Revista Dynamite: Instrumentalmente a banda mostrou um apuro como nunca se viu antes, inclusive em músicas como "Once" chega a mostrar um approach percussivo e progressivo surpreendente...

Michael Anthony: "Once" é um caso a parte, pois Gary veio com a letra a ela foi que inspirou a concepção musical que rolou em volta. Sempre que há alguma mudança na banda, é inevitável que a dinâmica e a forma de tocar se alterem de certa forma.

Revista Dynamite: Na sua última turnê pela europa, vocês abriram para o Bon Jovi, uma situação inimaginável nos Estados Unidos...

Michael Anthony: Muitos amigos chegaram para mim e disseram: "Cara, como é possível vocês abrirem para o Bon Jovi?" (risos).. Mas o fato é que nós ficamos cerca de 10 anos sem tocar na Europa pois o Sammy nunca se mostrou disposto à longas tours, sempre arranjava alguma desculpa para não irmos, e isso pesou na decisão de fazermos uma tour que abrangesse um púlblico maior. Idependente de tudo foi uma turnê muito positiva, e esteja certo que estaremos tocando no máximo de lugares possíveis, pois o Van Halen é a prioridade um de nós 4.

Revista Dynamite: Porém me foi dito que em relação ao Brasil, vocês não queriam voltar pois tiveram problemas com equipamento e pagamento...

Michael Anthony: Eu me lembro que tivemos problemas no transporte do equipamento, o que gerou algum stress, mas tudo foi resolvido. Olha, o verdadeiro motivo de não termos feito tour fora dos EUA foi que, ora o Sammy estava cansado, ora sem voz, ora preocupado com sua carreira solo... Eu me lembro com carinho o tempo que estivemos aí, principalmente porque tivemos 2 dias de folga maravilhosos no Rio de Janeiro e ficamos o tempo inteiro fazendo city tour e curtindo a praia de Copacabana... Ao que tudo indica voltaremos no início de 1999, coincidindo com o verão de vocês e espero que eu possa curtir o carnaval daí também!

Revista Dynamite: Falando em Sammy, você não acha que quando vocês convidaram o David Lee Roth pra participar do "Best Of" já não havia uma pré-disposição de chamá-lo de volta, desprestigiando Sammy?

Michael Anthony: Definitivamente não. Nós estávamos organizando o "Best Of" e foi o David que ligou pra nós, pois ele queria participar do processo de escolha. Como tínhamos algumas músicas prontas, achamos que ia ser um presente para os fãs fazermos algo com ele. O Sammy já estava descontente e achou que era a hora de sair. Daí tentamos voltar com o David, mas logo nos lembramos como era difícil trabalhar com ele. Sem contar que ele não queria e nem conseguiria cantar as músicas da fase do Sammy, pois elas tem um tom muito alto. Já imaginou fazermos uma tour e não tocarmos "Right Now"?

Revista Dynamite: Voltando no tempo, Ozzy Osbourne me disse numa entrevista que um dos motivos pra ele ter saído do Black Sabbath, foi quando vocês abriram pra eles em 1978, e ele via a energia e o vigor do Van Halen e concluiu que o Sabbath já era. O que você lembra dessa época e dessa tour?

Michael Anthony: Cara, foi nossa primeira tour, amamos abrir para o Black Sabbath! Imagine de uma hora pra outra você ver o que rola no mundo do rock, com muitas garotas, drogas... nós queríamos fazer de tudo! Me senti como um garoto solto numa doceria! (risos)

Revista Dynamite: Inclusive no início da década de 1980 era comum ver a banda fazendo apologia ao álcool, em seus shows. Vocês pararam de fazer isso devido à pressão do politicamente correto que tem imperado nos Estados Unidos?

Michael Anthony: Na realidade o que pesou pra termos dado um tempo nesse lance, foram os problemas que o Alex e o Eddie tiveram com relação ao álcool.
Revista Dynamite: Então é verdadeiro o fato de que os problemas que Eddie teve com álcool afetaram a banda de certa forma?

Michael Anthony: No sentido profissional ou de relacionamento pessoal nunca. Porém o fato de ver que o Eddie só conseguia se sentir confortável e seguro quando estava meio "alto" era barra. Ele precisava do álcool pra compor, pra tocar, pra subir num palco.... Nenhuma dependência é legal. Mas, por favor, avise o pessoal daí que nunca tive problemas com álcool. Eu amo beber! Inclusive acabo de sair de uma ressaca de dois dias! (risos) Quando eu estiver aí no Brasil, por favor, me leve para uns lugares legais pra sair, beber e ficar batendo papo a noite inteira!

Revista Dynamite: Com certeza. Musicalmente falando não é difícil tocar com Eddie, indubitavelmente um dos maiores guitarristas de todos os tempos?

Michael Anthony: Toco e conheço o Eddie há 25 anos. Crescemos e evoluímos musicalmente juntos. Pra mim, tocar com o Eddie e o Alex é uma coisa natural, que flui tão bem...

Revista Dynamite: Mas como as luzes sempre se voltam pra ele, nunca houve nenhum problema de ego?

Michael Anthony: Não. Eu amo baixo, meus ídolos sempre foram pessoas como Bill Wyman (Stones) que ficam na dele e seguram toda a onda. Sei da minha função e imprescindibilidade na banda.

Revista Dynamite: Pra finalizar, como você encara o momento atual do mercado musical para a música do Van Halen, comercialmente falando?

Michael Anthony: O Van Halen sempre vendeu bem, independente de qual a onda do momento, principalmente porque sempre fizemos músicas honestas e que realmente vem do coração, sem se preocupar em idéias pré-concebidas, de soar grunge, alternativo, moderno... Os fãs sabem que os respeitamos, e que nessa hora a nossa integridade vale muito.

Entrevista da Revista:  
Revista Dynamite
Edição: 32 - Julho/1998

Extremamente Parecido com Sammy Hagar (1998)
UM SHOW PARA A IMPRENSA GRINGA MAIS UMA ENTREVISTA POR TELEFONE COM O BATERA ALEX, PRA DESCOBRIR SE OS CARAS ESTÃO MESMO CURTINDO GARY CHERONE, EX-EXTREME, NOVO VOCAL DO VAN HALEN.

Não é a primeira vez que o Van Halen troca de vocalista e talvez nem seja a última. Mas a escolha de Gary Cherone (ex-Extreme) para substituir Sammy Hagar fez muita gente torcer o nariz e tapar os ouvidos. Alguns dias antes do lançamento do CD Van Halen III, primeiro trabalho com Cherone nos vocais, a banda resolveu se jogar na toca dos leões banguelos e ofereceu um pré-lançamento para a imprensa e para crítica musical americana no Billboard Live, em Los Angeles, que antes se chamava Gazarri's e foi um dos primeiros lugares em que o Van Halen se apresentou no começo da carreira, em 1978. Sentados num sofá de oncinha, os quatro integrantes - o guitarrista Eddie Van Halen, o batera Alex Van Halen, o baixista Mike Anthony e o calouro Gary - responderam às perguntas inofensivas e se limitaram a falar de amenidades. Mas o minishow que a banda fez depois da entrevista provou que a música do Van Halen continua a mesma, com a marca registrada da guitarra fuzilante de Eddie. Cherone faz sua parte direitinho, mas falta personalidade. A impressão que da é que ele passou os últimos meses treinando para cantar igualzinho a Sammy Hagar, e conseguiu. O grande lance do show - além de ser a primeira apresentação do Van Halen com a nova formação - foi o repertório que a banda oscolheu. Tirando três músicas do álbum novo (Without You, Fire in the Hole e One I Want), a banda tocou só sons antigos, todos da época de Dave Lee Roth: Dance the Night Away, Ain't Talking about Love, Unchained, Romeo's Delight e outros clássicos tirados dos três primeiros discos Van Halen, Van Halen II e Women and Children First. O Van Halen não os tocava ao vivo há um tempão porque Sammy Hagar não gostava de cantar músicas que tinham sido originalmente gravadas por David Lee Roth. Pelo jeito, Cherone não tem as mesmas encanações e a turnê mundial que a banda engrena no próximo mês (começando pela Austrália e Nova Zelândia) promete ser um prato cheio pros fãs saudosistas.

89 A Revista Rock: Como você, seu irmão e o Mike fazem para continuarem juntos?

Alex Van Halen: A fórmula, se é que ela existe, é ter a música como fator principal, acima de tudo. Se todos na banda não estiverem sempre em sintonia e não tratarem a música com respeito, as coisas com certeza não vão dar certo.

89 A Revista Rock: Vocês é que são os vilões e mandaram embora David Lee Roth e Sammy Hagar?

Alex Van Halen: Não, isso é o que eles dizem hoje. Nós fizemos ótimos discos com os dois, mas eles simplesmente escolheram sair. Sabe, esses caras têm o mesmo problema: seu ego.

89 A Revista Rock: Por que Gary Cherone?

Alex Van Halen: O que a gente estava procurando era alguém que tivesse o mesmo compromisso que eu, Ed e Mike temos com a música. Sabíamos que Gary era um cantor talentoso, mas não era o talento o que mais importava. Era importante encontrarmos alguém que estivesse na mesma onda que nós para podermos compartilhar idéias musicais. E Gary tem uma coisa legal, ele consegue viver sem ser egocêntrico.

89 A Revista Rock: E as comparações entre Cherone e Hagar?

Alex Van Halen: Sei que é fácil falar, mas não devem haver comparações, elas não fazem sentido...

89 A Revista Rock: Mas a voz de Cherone em Van Halen III é igualzinha à de Hagar...

Alex Van Halen: Gary canta da maneira que ele canta e eu não acho que ele canta como Sammy, e sim que Sammy canta como o Gary (risos). Cada um a sua maneira, os vocalistas que já tivemos foram muito valiosos pra banda. Quem quiser que faça comparações, nós não precisamos fazer comparação nenhuma.

89 A Revista Rock: Na internet, vários sites de fãs falam mal de Cherone e mesmo de Hagar, alguns até são somente sobre o Dave Lee Roth. Como você vê isso?

Alex Van Halen: Todos têm o direito de ter a própria opinião e certamente não é meu trabalho tentar responder e explicar as coisas como as vemos a todos. Eu sei como é estar nessa banda e toda a energia que rola em torno, a criatividade, a música. E, para cada pessoa que passa a não gostar da banda, vão existir provavelmente mais de dez pessoas que vão gostar. E eu nem mesmo olho na internet. Pra mim é uma perda de tempo. Música é algo do que você gosta muito ou não.

89 A Revista Rock: Hagar não gostava de cantar velhos sons, gravados por Lee Roth e parece que Cherone não se incomoda. Qual a sensação de tocar de novo os velhos clásicos do Van Halen?

Alex Van Halen: É verdade, Sammy não cantava as músicas antigas de jeito nenhum, mas Gary não tem problemas com isso. Acho que todos os nossos discos são especiais e todos os sons também. Mas é um tesão tocar I'm the One, por exemplo, do nosso primeiro disco, ou Running with the Devil. Definitivamente, estamos muito felizes com esse CD. Gary entrou na banda e rolou uma química forte que nos posslibilitou expressarmos exatamente a que queríamos. É mais uma página do livro que a gente vem escrevendo nessa caminhada.
Entrevista da Revista: 
89 A Revista Rock 
Edição: 3 - Abril/1998

O Terceiro Capítulo (1998)
O pesadelo do Van Halen está finalmente terminado. Após uma série de situaçães complicadas em 1996 - a saída do vocalista Sammy Hagar, a frustração com o vocalista David Lee Roth, o conflito de interesses com a coletânea Van Halen Best Of Volume I e a operação de quadril do guitarrista Eddie Van Halen - a banda californiana retorna com um álbum novo, Van Halen III, e retoma seu otimismo através de três maneiras.

Primeiramente, apresenta o vocalista Gary Cherone, que havia construído sua fama com o Extreme. Além disso, desenvolve um novo jeito de compor, segundo o qual as letras inspiram as partes instrumentais. E, finalmente, anuncia um maior esforço para excursionar no exterior, visando desenvolver em outros países a fama que possui nos EUA. No estúdio de Eddie, 5150, em Studio City, Califórnia, conversamos a banda toda para nos aprofundarmos sobre estas novidades.

Eddie & Gary:

Rock Brigade: Como se deu a entrada de Gary ?

Gary Cherone: Através do empresário. Ray Danniels [SRO Management, do Canadá] empresariava o Extreme e o Van Halen. O Extreme havia acabado em meados de 1996 e tive a oportunidade de vir aqui [ao estúdio] compor algumas músicas e participar de uma audição. Compusemos algumas músicas, tocamos umas antigas e nos demos bem como músicos.

Eddie Van Halen: Ele estava esperando por mim e eu por ele. Nuno [Bittencourt, ex-Extreme] estava fazendo um álbum solo e ele [Gary] estava esperando-o já há um ano e meio. Ao mesmo tempo, eu estava esperando por Sammy. Ele comprou uma casa no Havaí e não poderíamos... [pausa] Esqueça o passado. Seja como for, ele [Gary] estava sendo reprimido por um guitarrista e eu por um vocalista. É por isso que nos damos tão bem. Há um ditado que sempre digo: você tem que comer merda para saber o gosto de carne. Comemos merda por muito tempo, assim, é hora de termos, pelo menos, uma carne bem passada.

Rock Brigade: [para Gary] Você ficou nervoso nos primeiros ensaios?

Gary Cherone: Não, eu estava faminto. Eu estava nervoso mais por causa dos caras - não sabia o que esperar. Eddie me mostrou seu piano e tocou músicas belíssimas que eu nunca havia ouvido.
Eddie Van Halen: Conheço as influências dele. Ainda que eu não conheça muito de Extreme, sei que ele é um fã de Queen. Eu queria mostrar que o Van Halen não é apenas o que [o público] conhece. Este é o primeiro álbum do Van Halen cujas letras ditaram as músicas. É por isso que elas são muito, muito importantes. Se você não ler as letras enquanto ouvir o álbum, estará perdendo a profundidade [das músicas].

Rock Brigade: [para Eddie] Músicas como Without You e A Year To The Day parecem trazer uma dezena de guitarras tocadas simultaneamente. Essa sonoridade encorpada foi planejada ou surgiu naturalmente?

Eddie Van Halen: Nada é planejado. No fim [da música] Dirty Water Dog, por exemplo, passei quatro horas adicionando um Hammond B-3 [órgão]. Eu tinha sonhado com este B-3, assim, nada é planejado. Há muitas coisinhas no álbum que você não ouvirá mesmo após cinco audições, a não ser que fume um baseado ou coloque fones de ouvido. Se você ouvir o álbum apenas uma vez, será como ouvir Dark Side Of The Moon [Pink Floyd] em 45 rotações.

Rock Brigade: Once é uma das músicas mais melódicas e atmosféricas que o grupo já compôs. De onde pintou a inspiração?

Eddie Van Halen: Obrigado! Ele [Gary] me mostrou a letra. Ele estava lendo a letra e eu disse: "Caralho!" Once se chamava The Wish e havia sido composta para o [álbum] For Unlawful Carnal Knowledge. Se as músicas que componho não funcionam, se o vocal não se encaixa, eu digo: "Esqueça." Assim que vi a letra, disse pra ele: "Cara, tenho uma música perfeita para isso." [A música] passou por muitas mudanças. Eu até fiz uma versão em guitarra flamenca.

Gary Cherone: Na verdade, eu havia fornecido apenas versos. Ele me mostrou [a música] no piano e fizemos outros versos. A música foi composta em seis meses, mas sua concepção já existia.

Rock Brigade: Com a música That’s Why I love You, Van Halen III é o nono álbum do Van Halen que traz pelo menos uma música com a palavra "amor" ["love"] no título. Por que este tópico é tão importante para a banda?

Eddie Van Halen: Amor é uma coisa muito importante na vida.

Gary Cherone: É algo do qual não podemos e não queremos nos distanciar.

Eddie Van Halen: O amor machuca, fede, é demais, é tudo.

Gary Cherone: Essa é uma pergunta estranha, mas você nem precisa da palavra "amor" em músicas que falam sobre isso. Todos que compõem uma música têm paixão por algo, seja político, social ou o que for. Músicas como Without You não precisam ser sobre homem e mulher.

Rock Brigade: Antes desta entrevista, os jornalistas que ouviram Van Halen III no escritório da gravadora Warner Bros. con-cordaram que o vocal de Gary é muito parecido com o de Sammy. Como vocês reagem a isso?

Eddie Van Halen: Digo que é besteira. Talvez apenas numa música, Fire In The Hole. Isso é tudo.

Gary Cherone: Qualquer pessoa que entrar no Van Halen ouvirá essa pergunta, seja [por causa] de uma ou de dez músicas.

Eddie Van Halen: Você não pode comparar Sammy e Roth porque Roth não tinha o [mesmo] alcance [vocal].

Gary Cherone: Acho que eu e Sammy temos alcances similares.

Eddie Van Halen: É como um instrumento. Seu trompete está num alcance determinado e soará como um trompete. Gary canta num alcance determinado. Independente de quem cantar, vamos soar com o mesmo alcance.

Gary Cherone: Eu discordo [da opinião dos jornalistas]. Conheço a voz de Sammy e conheço minha voz. Certamente, conheço minhas influências, mas nunca fui comparado a Sammy em minha carreira. Se for similar, é provavelmente por causa do alcance.

Eddie Van Halen: Se for, e daí? Leia as letras.

Rock Brigade: [para Gary] Pessoal e musicalmente, como você compara o Van Halen com o Extreme?

Gary Cherone: O Extreme começou demais e não ficou legal porque, sem acusar ninguém, ficou isolado e passou a não ser divertido. Esperei um ano por Nuno e, então, ele decidiu sair da banda. Não acabou muito bem.

Eddie Van Halen: Mas ele e Nuno ainda são amigos.

Rock Brigade: [para Eddie] Como você compara Gary a Sammy e David?

Eddie Van Halen: Não há comparação. Nunca trabalhei e colaborei assim antes. Ponto final. Nenhum dos dois tinha letras que pudessem mexer comigo, que atingissem minha alma. Só está ficando melhor. No ápice de David ou Sammy conosco, nunca foi assim. Esperei vinte anos por este cara! Estou falando sério.

Gary Cherone: É assim que tem que ser.

Eddie Van Halen: Não há nada premeditado. Não há uma agenda. Um amigo esteve aqui outro dia. Ele chorou! Ele ficou muito comovido [pela música]. É um mundo totalmente novo.
Alex & Michael:

Rock Brigade: O Van Haleu lançou dez álbuns após Van Halen II. Então, por que chamar o novo CD de Van Halen III?

Alex Van Halen: Porque nunca tivemos um Van Halen III [risos]. Também, por motivos óbvios, esta é a terceira versão da banda. A primeira versão foi com Roth e a segunda foi com Hagar.

Michael Anthony: O terceiro e longo capítulo!

Rock Brigade: Bruce Fairbain produziu Balance, Glen Ballard produziu as duas faixas extras em Van Halen Best Of Volume I e Mike Post produziu Van Halen III. Por que mudar de produtor a cada álbum?

Alex Van Halen: Tem muito a ver com quem está disponível. Eddie e Glen se conhecem há muito tempo. É ótimo trabalhar com Glen, mas ele não teve tempo. O mesmo ocorreu com Bruce - ele não estava disponível. Assim, decidimos entrar em estúdio sem qualquer objetivo. Havíamos gravado cinco músicas quando Mike Post chegou. Produtor é um título muito vago. Produtor varia desde alguém que senta [no estúdio] e diz: "Sim, eu produzi" até alguém que compõe, toca um instrumento... Tínhamos que chamar Mike Post de alguma coisa, assim, chamamos de produtor. Na verdade, o trabalho dele foi garantir que o álbum fosse terminado. Fizemos muitos álbuns e sabemos que precisamos de ouvidos extras - alguém que venha de um lugar diferente, que possa ouvir opiniões diferentes.

Rock Brigade: Visto que ele é um produtor desconhecido, como vocês se conheceram?

Alex Van Halen: Eddie o conhecia. Parte do motivo que estamos [na área] de Los Angeles é que temos contato com muitas pessoas. Você fala algo com seu carteiro e a metade da cidade fica sabendo [risos]. Assim, não havia segredo que estávamos procurando um produtor.

Michael Anthony: Convidamos ele para vir [ao estúdio], passar tempo conosco e ver como nos daríamos.

Rock Brigade: Van Halen III começou a ser composto em outubro de 1996. Por que levou quase um ano para ficar pronto?

Michael Anthony: Na verdade, a gravação durou um pouco mais de três meses, mas tivemos a mixagem a masterização e alguns problemas técnicos no começo. Levou tempo para resolvermos estas coisas. Poderíamos ainda estar no estúdio compondo e gravando, pois Eddie estava com muitas idéias. Trabalhávamos em algo num dia, ele me ligava de noite e dizia: "Estou com uma idéia pra isso." Então, trabalhávamos em outra coisa. Mas, como Alex disse, parte do trabalho de um produtor é colocar um ponto final em algo.

Rock Brigade: Em termos de baixo e bateria, Dirty Water Dog é uma música bem intensa, trazendo até uma introdução tribal. Como vocês a desenvolveram?

Alex Van Halen: Com os sons do começo, Eddie usou uma vassoura na lateral de uma piscina! Algumas músicas se abrem mais e fazem com que você ouça melhor outros instrumentos.

Michael Anthony: A maneira pela qual Eddie gravou a guitarra, que tem uma sonoridade mais leve, fez com que a bateria e o baixo se abrissem mais. Quando gravamos, a guitarra de Eddie é muito cheia. É uma freqüência tão abrangente que, às vezes, fica difícil de colocar o baixo ou seja lá o que for.

Rock Brigade: Como na maioria dos álbuns do Van Halen, Van Halen III mescla músicas agressivas, como Without You e Fire In The Hole, e músicas suaves, como Once e A Year To The Day. Que estilo musical vocês preferem?

Alex Van Halen: Ambos. Você tem que ter o suave para ter o selvagem. Música é algo emocional. São experiências de momentos de felicidade e tristeza. Você precisa colocar uma boa variedade de cores e emoções no álbum. Eddie tocou o álbum para um amigo nosso e, no final da música, o cara começou a chorar. Foi algo muito emocionante pra ele. Música é isso.

Rock Brigade: [para Alex] A banda anunciou que excursionará no mundo todo para promover Van Halen III. Contudo, Sammy Hagar disse à ROCK BRIGADE que você não queria tocar no Brasil e na Europa. Como você reage a esse comentário?

Alex Van Halen: [completamente revoltado] Primeiro de tudo, quem já tocou no Brasil?!? Van Halen ou Sammy Hagar? É fácil para alguém falar coisas quando o outro lado não está por perto. Não quero falar de todos os problemas e bostas que pintaram durante a produção do Best Of. Sammy não queria ir à Europa porque estava ocupado com seu projeto solo. Ele estava acabado em 1986 quando terminamos [a turnê americana para promover 5150]. Eu fui à Europa sozinho para dar entrevistas e promover a turnê [européia]! De repente, Sammy não pôde ir porque estava indo ao Japão promover seu álbum solo. Ele disse, quando voltou: "Estou cansado, preciso de uma pausa." É por isso que levou um tempão para fazermos 0U812.

Michael Anthony: Não voltamos à Europa em dez anos por causa dele.

Alex Van Halen: A realidade é que há um problema de tempo. Se ele passa todo seu tempo nos EUA e no Canadá, e vai ao Japão, onde raramente passa mais de duas semanas, isso é tudo. Então, quer voltar pra casa. Entendo isso, mas virar [o problema] ao contrário... Ora, me deixe em paz!

Rock Brigade: Finalizando esta controvérsia de vocalistas, David Lee Roth retornou com um livro e uma coletãnea de sucessos, usando o nome da banda para se promover. O que você acha disso?

Alex Van Halen: Você não pode impedi-lo e não há nada a ser feito. Tudo que posso dizer é que desejo tudo de bom pra ele. Espero que seu livro se saia bem. Pelo que ouvi falar, é uma merda. Está cheio de mentiras! Sobre o que ele escreve? Ele mesmo? Não estou interessado. Sobre o passado da banda? Sim, a banda era um bando de caras que viajou pelo mundo, zoneou muito, encontrou muitas mulheres e compôs grandes músicas. Trabalhamos como uns condenados. Ponto final. É o mundo do rock'n'roll. Quanto à coletânea de sucessos, foi uma oportunidade óbvia para ele. Na verdade, eu e Eddie o aconselhamos sobre como acertar sua carreira novamente para que ele não precisasse mais trabalhar em Las Vegas. Porém, ele não nos ouviu.

Entrevista da Revista: 
Rock Brigade
Edição: 139 - Fevereiro/1998

Eddie Van Halen: Onze Perguntas (1998)
De volta com Van Halen III, o disco que marca a estréia do ex-Extreme Gary Cherone, o guitarrista agora também canta, valoriza o lado instrumental em músicas mais longas e diz que compõe melhor quando está no banheiro.

ShowBizz: Que tal trabalhar com Gary Cherone?

Eddie Van Halen: Engraçado você usar a expressão "trabalhar com alguém". Essa é a primeira vez que realmente faço isso. É um alívio... Nós nos entendemos muito bem: ele podia entrar na sala agora, me entregar uma letra, e eu teria uma música pronta em 10 minutos.

ShowBizz: Você sente diferenças no estilo das letras dele, se comparado ao estilo de Roth e Hagar?

Eddie Van Halen: Todas as mulheres que ouviram o disco sentiram uma diferença enorme. Sentiram que faltava alguma coisa.

ShowBizz: Como é?

Eddie Van Halen: É, disseram que faltavam referências às partes do corpo feminino (risos). Gary faz letras que não falam só de vaginas. Não é humor de vestiário.

ShowBizz: Muitas das novas músicas têm longos trechos instrumentais. Você queria realçar o lado não-vocal da banda?

Eddie Van Halen: Não exatamente. Para mim, é tudo música, seja instrumental, seja vocal. Não tenho esse tipo de preferência.

ShowBizz: A abertura de "Ballot or the Bullet" marca a primeira vez que você toca uma guitarra-cítara num disco do Van Halen, certo?

Eddie Van Halen: É uma guitarra Danelectro Choral Sitar velha, uma porcariazinha de instrumento (risos). Estava lá, peguei, toquei, e ficou legal.

ShowBizz: Como você costuma compor? A inspiração vem sem aviso, ou você é daqueles que precisam labutar muito até que saia algo de bom?
 

Eddie Van Halen: Geralmente, minhas melhores idéias surgem quando estou no banheiro. Não sei por que... É assim que o Homem lá em cima resolveu que deveria ser: eu me livro das toxinas e, junto, saem músicas.

ShowBizz: Esse é um disco bem diferente dos demais que o Van Halen fez até agora. Você não teme a possibilidade de perder alguns dos velhos fãs da banda?
 

Eddie Van Halen: Isso está fora do meu controle. É como estar preso num engarrafamento: ou você sai do carro e sai andando, ou você fica sentado lá dentro e atura. Não cabe a mim essa conclusão. O que eu sei é que, quanto mais clara fica minha mente, mais sou capaz de dar.
 
ShowBizz: Há notícias de que você estava para fazer uma operação para substituir os ossos da bacia. Esse é um dos motivos pelos quais o Van Halen não tem excursionado recentemente?
 

Eddie Van Halen: É, mas o médico diz que eu melhorei, e não preciso mais operar. Agora é só continuar o tratamento. Perdi quase 15 quilos e voltei a pesar o que devia: 67 quilos.
 
ShowBizz: A música "How many say I" marca a primeira vez que você canta num disco do Van Halen. O que aconteceu?
 

Eddie Van Halen: Toda vez que eu elaboro uma música, eu mesmo cantarolo a melodia nas fitas-demo. Só que agora Gary ouviu a fita e propôs que eu mesmo cantasse a música. Tremi de medo. Como é que eu vou cantar essa música ao vivo agora?
 
ShowBizz: Você também produziu e fez a engenharia de som do disco. Não é um pouco demais para uma pessoa só?
 

Eddie Van Halen: Foi por necessidade. O pai do nosso engenheiro de som sofreu um infarto e ele precisou se afastar das gravações. Não foi por ego, como aquele Artista Que Costumava Se Chamar... sabe?

ShowBizz: Mas você é bem centralizador também, não?
 

Eddie Van Halen: Por que deixar a culpa ou o elogio recair sobre as outras pessoas? Prefiro ser responsável pelo disco, ao invés de dizer que fulano de tal arruinou tudo. Se o disco for ruim, a culpa é minha.Entrevista da Revista:
ShowBizz
Edição: 150 - Janeiro/1998

David Lee Roth é Maluco !!! (1996)O destino foi grandioso demais... Robert Plant viajando pra Ásia com Jimmy Page, Gene Simmons apertando a mão de Ace Frehley e John Lydon anarquizando o mundo com Steve Jones. Obviamente, só faltava David Lee Roth pulando no palco com Eddie Van Halen novamente !
Nos últimos meses, esta foi a grande esperança dos velhos fãs do Van Halen. Com a saída do vocalista Sammy Hagar, Eddie Van Halen (guitarra), Michael Anthony (baixo) e Alex Van Halen (bateria) cogitaram o que praticamente parecia impossível: trazer de volta David Lee Roth, o vocalista original da banda. Desde que os boatos da reunião surgiram, em meados de junho, o quarteto entrou nas manchetes dos jornais americanos tanto quanto a reunião do Kiss e o novo álbum do Metallica. As manchetes eram unânimes: "Sammy está fora ! David está de volta !" Na verdade, Sammy conquistou seu respeito musical ao longo dos anos, mas jamais conseguiu superar o fanfarrão David Lee Roth pulando enlouquecido em cima do palco e cantando obras- primas do rock pesado, como Ain’t Talkin’ Bout Love, Panama e Unchained.

 

Porém, Eddie, Michael e Alex convidaram David apenas para gravar duas músicas, Me Wise Magic e Can’t Get This Stuff No More, incluídas como bônus na coletânea de hits Van Halen Best Of - Volume I. Naturalmente, o furor da imprensa e dos fãs foi absolutamente incontrolável, mas insuficiente para pressionar a estabilização da reunião. Após frustrações no estúdio (onde a banda não conseguiu se entender com David), brigas na festa de prêmios da MTV (em que a formação original fez uma aparição surpresa) e uma carta de David enviada à imprensa, em que baixa o pau na tão sonhada reunião, uma coisa agora é certa: o Van Halen original não voltará ! E para explicar os podres desta "reunião", adiantar o novo vocalista e falar positivamente da coletânea de hits, Eddie e Alex atenderam a ROCK BRIGADE pessoalmente em duas entrevistas separadas.

EDDIE VAN HALEN

2 de outubro. Exatamente no dia de nossa entrevista, Eddie estava revoltado e decepcionado em sua casa, localizada num morro milionário ao norte de Los Angeles. Ele havia acabado de receber a carta de David Lee Roth enviada à imprensa, onde o vocalista lhe acusava de ter tramado a tal reunião. Sentado na sala de visitas de seu estúdio, 5150, ele demonstrou satisfação em conversar conosco, mas não pôde esconder sua expressão facial séria e amarga.

Rock Brigade: Se a maioria dos fãs já conhecem bem as músicas do Van Halen, por que lançar uma coletânea de hits?

Eddie: Talvez você esteja falando em termos de Brasil, mas há um mundo imenso aí fora. Por exemplo, só excursionamos duas vezes na Europa com Sammy, por isso, os europeus não conhecem bem o Van Halen mais recente. Também há fãs de 13 ou 14 anos que nem sabem que lançamos 10 álbuns. Assim, elaboramos este álbum para eles. Ao invés de comprar cada álbum, o que custaria muito dinheiro, eles podem ter uma história cronológica da banda com duas músicas de cada álbum num único CD.

Rock Brigade: Então o CD é direcionado primordialmente aos novos fãs?

Eddie: Sim, mas não se esqueça que nossos seis primeiros álbuns não foram lançados em CD [na época em que saíram]. Como estavam anteriormente em vinil, nós remasterizamos as músicas para que soassem corretamente. Não as remixamos, ainda têm as mesmas mixagens clássicas. Mas elas soam melhor pela remasterização.

Rock Brigade: Bandas normalmente lançam uma coletânea para fechar um capítulo de carreira. É o que está acontecendo ao Van Halen com Van Halen Best Of - Volume I?

Eddie: Não planejamos assim, mas o engraçado é que o álbum fechou dois capítulos: Sammy e David. Sammy saiu da banda e David nunca retornou, apenas fizemos duas músicas com ele. Eu mesmo disse que jamais lançaria uma coletânea de hits. Para quê? Mas Valerie, minha esposa, que sempre está na Internet, descobriu que muitos fãs não sabem que temos 10 álbuns. Então, por que não lançar uma coletânea para lhes dar pelo menos um gostinho de cada álbum? O mais engraçado é que Sammy foi totalmente contra a idéia, mas já lançou duas coletâneas em sua carreira solo [risos]. Atualmente, eu acredito que, enquanto nossos álbuns forem bons, podemos lançar quantas coletâneas desejarmos. Qual é a diferença? Talvez seja pelo mesmo motivo de sempre: bandas as lançam quando estão acabadas ou quando as gravadoras têm o direito contratual para tal. Mas a Warner [gravadora da banda] não nos forçou a lançá-la. Foi minha idéia fazer uma história cronológica da banda para os fãs mais jovens e pessoas que não nos conhecem. E o próximo álbum de estúdio está do caralho, já compus músicas para três deles !

Rock Brigade: Por que afinal Sammy saiu da banda?

Eddie: Porque ele é bem mais velho que o resto da banda. Ele tem 49 ou 50 anos - nem sei ao certo -, e eu tenho 41, assim há uma diferença de oito ou nove anos. Eu não sei o que passa em sua mente, mas ele quis voltar a ser um artista solo. Ele saiu porque se sentiu frustrado na banda ! Eu até lhe ofereci ajuda para compor e completar suas músicas, mas você precisa ser aberto numa banda. É como um time de futebol - você trabalha junto para vencer e completar algo corretamente. Nosso produtores, Bruce Fairbairn e Glen Ballard, nos dão sugestões, mas Sammy não ouvia nenhum dos dois. Eu não quero comparar ambos produtores, mas, musicalmente eu e Glen nos relacionamos tão bem que podemos terminar três músicas num dia. Porém, Sammy cuspiu na cara dele. Ele apenas disse: "eu mudarei as músicas para o que acho melhor". E se mandou.

Rock Brigade: Como você analisa esta situação, já que levou muitos anos para ele conquistar a maioria dos fãs do Van Halen?

Eddie: Leva tempo para que o público se acostume a um novo vocalista, mas há fãs por aí que odeiam Sammy e idolatram David. Por outro lado, há fãs que idolatram Sammy e odeiam David. Então não dá pra satisfazer todo mundo. Tudo que você pode fazer é compor e lançar músicas do coração. E se ela tocar outras pessoas, sua missão estará cumprida. Você não pode compor tentando satisfazer o público; você tem que se satisfazer primeiro. Se eu gosto de uma música, sairei do estúdio para lançá-la. E se as pessoas gostarem, ótimo ! Se não gostarem, tudo bem. É simples. Se você fica pensando "talvez nossos fãs gostem disso", você não fará o que realmente deseja. E o que acontecerá se não gostarem do que você acha que eles gostam? Então você estará duplamente fodido, porque nem você e nem eles gostam da música !!! A música tem que sair do coração, caso contrário é planejada e irreal. É por isso que o Van Halen está na ativa há quase 20 anos. Ano que vem completaremos 20 anos desde que gravamos nosso primeiro álbum ! Sobrevivemos através do punk, rap, grunge e disco music porque não seguimos modas, fazemos nossa música. Eu sou um músico, não uma estrela do rock. O público é que me transforma numa estrela do rock. Eu sou apenas uma pessoa normal que cria música, é tudo que eu sei fazer. Eu não consigo copiar outras pessoas e seguir modas. No passado, costumávamos tocar hits de outras bandas nos clubes. Eu fiz de tudo para imitar as músicas de seus álbuns, mas foi impossível. Isto foi uma benção, pois hoje só consigo tocar o que componho.

Rock Brigade: O legal é que você ainda explora amplamente sua técnica...

Eddie: O que Deus me dá é o que sai de mim. Eu realmente não posso dizer que já compus algo, tudo foi dado a mim. Eu fui escolhido para isto, como um veículo. Logicamente, eu tenho que me manter em forma para executar o que me é passado. E o homem lá no céu tem me dado muito recentemente, pois até parei de beber. Isto parece uma cerveja [mostra a lata em suas mãos], mas não é alcoólico.

Rock Brigade: Depois que Sammy saiu, como vocês reencontraram David para gravas as duas músicas da coletânea?

Eddie: David me ligou. Eu estava jogando golfe com um amigo, Rudy Laren, que ocasionalmente é meu roadie de guitarra, e que também trabalha com David. Ele me disse: "David pediu pra você ligar pra ele". Eu respondi: "O mesmo David de sempre... Ele quer que eu ligue pra ele ! Ele tem a porra do meu número ! Peça pra ele me ligar caso queira falar comigo". Então David me ligou, deixou dois recados e eu liguei de volta. Ele ficou chocado quando liguei, dizendo "É você mesmo?" Ele me disse que havia ligado para Scotty [Ross, gerente] da Warner, pois tinha recebido uma carta sobre o lançamento da coletânea de hits. Ele queria saber se a lançaríamos em um ou dois Cds. Acabamos nos desculpando pelas bostas que falamos uns dos outros ao longo dos anos, quando agíamos como crianças. Como estávamos no telefone por 45 minutos, eu notei que ele havia mudado. Por isso, começamos a reconstruir nossa amizade. Então, Sammy saiu da banda e eu tive essa idéia maluca de gravar duas músicas com David. Agora, após receber o release que ele enviou à imprensa, eu me pergunto se realmente devia ter feito isso.

Rock Brigade: Qual foi sua reação ao ler a carta aberto do David para a imprensa?

Eddie: Eu não sei, ele é maluco ! Porra, eu jamais esperava que isso acontecesse ! Nunca falamos que ele estava na banda. Nunca lhe demos a mínima ilusão sobre esta possibilidade. Se você ler nosso release, há uma parte que diz: "Estamos em estúdio gravando uma música para a coletânea, mas também procurando por um vocalista permanente."

Rock Brigade: Mas ele disse que a banda já havia encontrado um vocalista na época...

Eddie: Não, ainda não encontramos ninguém. Temos uma escolha número um, que é Gary Cherone [do Extreme], mas ele está sob contrato com outra gravadora. Ele só pode entrar na banda se sair deste contrato. Na época da gravação, eu toquei umas 20 músicas pro David, mas ele não conseguia se relacionar a nenhuma. Ele não confia em Ray, nosso empresário, acha que Alex lhe odeia e não tem respeito por Michael. Como é que essa porra dará certo? Eu nunca menti pra ele, nunca usamos ele para nada. Nós o trouxemos de Las Vegas e fizemos com que ele cantasse bem estas duas músicas. Eu e Glen devíamos ganhar um certificado dentário, pois foi como arrancar dentes para fazer ele cantar direito. Tivemos que transferir as músicas para um DAT de oito canais, mudá-las ritmicamente, prolongá-las e trazê-las de volta. Ele levou duas semanas e meia para gravar os vocais. Mas vamos lhe dar crédito, David é um guerreiro ! Ele ficou no estúdio, se esforçou, mas, num certo momento, já era como: "de novo, de novo, de novo". Eu não quero rebaixar o cara, mas eu estou muito puto hoje. O que machuca mais quando leio isso é que ele mesmo disse: "se este projeto terminar amanhã, pelo menos gravamos uma música e somos amigos". Mas isso foi a primeira coisa que saiu pela porra da janela. Quando ele fala merdas deste tipo, eu não fico puto ou entristecido - eu fico deprimido ! Eu não consigo entender, esta carta não faz sentido ! Ele cai em contradição, pois diz que só concordou em participar do MTV Awards porque lhe falamos que estava na banda. E então, durante o programa de Howard Stern [locutor americano de rádio], na manhã seguinte, ele diz: "eu não estou na banda, estou esperando pra ver o que rola". Nunca garantimos ao David que ele entraria na banda.

Rock Brigade: Com Gary ou não, você está com medo de reconquistar seus fãs com um novo vocalista?

Eddie: Não, pois não tem nada a ver com reconquista. Eu sou um músico e compositor. Se as pessoas gostam de nossas músicas, maravilha. Se não gostam, bem, eu gosto porque é minha vida. E não tem nada a ver com dinheiro. Se quiséssemos ganhar dinheiro, sairíamos em turnê com David tocando apenas músicas antigas. Você não imagina quantos promotores têm nos ligado dizendo: "Faça a turnê ! Daremos toda essa grana pra vocês !" Foda-se o dinheiro ! Não somos uma banda nostálgica, principalmente depois que eu parei de beber. Meu amigo, com as músicas que estou compondo agora, parece que estou começando ! Não retornarei com Dave. Eu quero olhar pra frente !

ALEX VAN HALEN

Logo após entrevistarmos Eddie, encontramos Alex dentro do estúdio onde o Van Halen gravou a maioria de seus álbuns. A mesa de som ao nosso lado, por exemplo, coordenou os canais de gravação de clássicos imortais como Jump, Panama, Hot For Teacher. Ao contrário de seu irmão, ele estava mais calmo e relaxado, mas sensível aos fatos recentes, relacionados ao falatório a respeito da "reunião" e da coletânea de hits do grupo, lançada recentemente.

Rock Brigade: Houve alguma nostalgia quando vocês planejaram lançar Van Halen Best Of - Volume I?

Alex: O álbum não demonstra tanta nostalgia quanto nosso progresso musical. Algumas músicas sempre passarão no teste do tempo. Ain’t Talkin’ Bout Love é tão relevante hoje como na época em que foi composta. Como exemplo, você pode lembrar a primeira vez que ouviu uma música. Quando você a ouve novamente, ela lhe traz uma lembrança, o que é algo fascinante. Foi difícil selecionar as músicas desta coletânea porque estávamos limitados a 74 minutos. Assim, a melhor solução foi juntar duas músicas de cada álbum e fazer uma cronologia. Mas também adicionamos duas músicas novas, porque não queremos que este álbum seja visto como um final. Queremos mostrar ao público que mais coisas virão.

Rock Brigade: Comparando aos velhos tempos, como foi a atuação de David na gravação destas músicas?

Alex: Parecia que os 11 anos que não nos vimos nunca existiram. A situação me levou à época do álbum 1984, pois ele não mudou nem um pouco. Nos velhos tempos, quando Ted Templeman nos produzia, ele tentava tirar o máximo de David. Um dos talentos de um produtor é conhecer as qualidades e fraquezas de um artista, assim como explorar todas capacidades. Ted é muito bom com estas coisas. David gravava seus canais e Ted trabalhava com ele sozinho. Já nestas duas músicas, Eddie e Glen Ballard foram os que sentaram no estúdio para tirar o máximo de David. Ele não é o melhor vocalista do mundo, mas realmente tem talento. E para fazer esse talento funcionar numa música, ele precisa ser pressionado. Me Wise Magic foi gravada ao vivo, em quatro minutos. Nós a tocamos e colocamos numa fita. Depois, gravamos Can’t Get This Stuff No More.

Rock Brigade: Já que David não estará na banda, não seria injusto dar aos velhos fãs o gostinho dele cantando novamente?

Alex: Eu sei exatamente o que você quer dizer, mas tem coisas que estão fora de nosso controle. A química entre eu, David, Eddie e Michael não dá certo. Levou duas semanas para descobrirmos isto. Quando reencontramos David, ele estava humilde e arrependido pelas bostas que haviam parado na boca da imprensa. Então, fomos ao MTV Awards e ele agiu desrespeitosamente com o grupo Beck, que, inclusive, ganhou um dos prêmios. Estávamos lá pra entregar o prêmio, não pra ficar pulando ou fazer o que David achava necessário. Depois, fomos ao backstage dar algumas entrevistas e alguém fez uma pergunta bastante direta pro Eddie: "Quando vocês arrumarão um novo vocalista?" Como Eddie não é um comediante, ou enrolador, apenas respondeu: "Em meados de dezembro". Dave, então, foi à loucura e disse: "Eu não quero ouvir falar de vocalistas novos ! Sou eu e pronto !" Eddie olhou para ele e disse: "Olha aqui, seu merda. Jamais fale comigo assim !"... Ao invés de lhe socar a cara, Eddie foi bem educado. A partir daí, Eddie ficou num lado, David no outro e eu no meio.

Rock Brigade: Durante a gravação das músicas, vocês deram a entender que ele ficaria na banda?

Alex: Não, nunca enganamos David. Sempre lhe dissemos que faríamos apenas uma música, o que acabou em duas. Apenas veríamos o que aconteceria. Mas ele me ligava toda manhã, perguntando: "Quando a turnê irá começar?" Ele ligou num dia e eu respondi: "David, não há turnê. Do que você está falando?" No dia seguinte, ele ligou e perguntou: "Alex, quando a turnê irá começar?" Então eu respondi: "David, eu te disse ontem. Não há turnê". E, no terceiro dia ele ligou e perguntou novamente: "Alex, quando a turnê começa?" Então eu comecei a pensar: "Talvez eu esteja falando com um ser interplanetário ou talvez não esteja entendendo a pergunta !" [risos] Eu lhe disse: "David, não tem turnê ! De que porra você tá falando?" Então, quando o lance da MTV rolou, ele provou ser totalmente incompatível. Ele não pode falar o que desejar, o mundo não gira ao seu redor. Nós lhe perguntamos se gostaria de cantar em duas músicas, mas nossas vidas não irão parar só porque fizemos isto.

Rock Brigade: Qual as qualidades que deve ter o novo vocalista?

Alex: Estamos procurando pela mágica certa. Está 99,9 % confirmado que será Gary Cherone, pois é uma pessoa do caralho. Você não pode julgar como ele canta pelo que fez no passado. Quando você trabalha com pessoas diferentes, você atua de maneira diferente. Quando você ouvi-lo cantar nossas músicas, verá que está inacreditável !

Rock Brigade: Junto com os vocais, como o estilo da banda mudará no próximo álbum?

Alex: É uma pergunta difícil porque um álbum deve refletir o que ocorre ao seu redor. Ao mesmo tempo, ele pode retirar você da vida do dia-a-dia e ser viajante, como algo dos Beatles, cujas letras não significavam quase nada. Agora temos material musical para uns três álbuns. Apenas temos que nos sentar e discutir o direcionamento do próximo. Não queremos ser sérios ao ponto de nos tornarmos um U2 ou coisa parecida. Mas, ao mesmo tempo, não queremos soar como 1984. Nós quatro sentiremos a coisa certa em relação a isso. É algo que não podemos descrever. É como tentar descobrir por que você se atrai por uma mulher e não por outra.

Rock Brigade: O fato da coletânea se chamar Van Halen Best Of - Volume I significa que a gravadora lançará um segundo volume?

Alex: [rindo] Isso está além de nosso controle. Estamos apenas trabalhando num novo álbum de estúdio, esperando lançá-lo em janeiro ou fevereiro. Estamos cruzando os dedos. Eddie já compôs as músicas, elas só precisam ser organizadas. Então, devemos excursionar em maio, viajando pelo mundo inteiro. Sammy nunca quis tocar na América do Sul ou Europa, mas eu não sei o motivo. Mas, agora, iremos pra tudo que é lugar, incluindo o Brasil.

Rock Brigade: O Van Halen está mudando de vocalista pela terceira vez. Você teme o futuro pela aceitação imprevisível dos fãs?

Alex: Não, porque eu, Eddie e Michael sabemos que viemos das ruas. Não nascemos ricos, não éramos nada além de membros da classe trabalhadora. Já faz 20 anos que vou à loja de um chinês e ele ainda não me dá crédito. Se me falta 20 centavos, ele diz: "Deixe aí, você não pode comprar." Para ele, não faz nenhuma diferença o fato de vendermos 70 milhões de álbuns. O negócio é entre nós dois. Não estamos com medo do futuro porque não é uma competição ou algo financeiro.
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A CARTA DA DISCÓRDIA

2 de outubro, 1996

Vocês provavelmente ouviram boatos que eu e o Van Halen não consumaremos nossa tão divulgada reunião. E como Edward, Alex ou Michael não a confirmaram ou negaram, eu gostaria de registar o seguinte: Eddie armou tudo. Não é segredo, e nem eu estou envergonhado de meu entusiasmo pela possibilidade da ressurreição do Van Halen original. "Duas músicas" foi o que eu tinha certeza quando eu e Edward nos reunimos três meses atrás para compô-las. Na época, a banda andou na ponta dos pés ao meu redor, salpicando sentimentos do tipo: "não há nada confirmado, Dave; não há nada a longo prazo, Dave; nós ainda estamos testando outros vocalistas, Dave". Eu tava na boa. Eu tava feliz. Eu tava curtindo o momento. Depois eu fiquei sabendo que nós quatro faríamos uma aparição surpresa no MTV Awards. Eu disse à Eddie na época que não seria uma boa idéia para a banda recém-nascida ir para New York, e que eu não queria implicar, com nossa presença, que estávamos "de volta", quando na verdade foi apenas algo feito às pressas em respeito aos velhos tempos. Bem, se não houvesse olhares por trás, se eu tivesse pedido algo escrito, isso não teria acontecido. Se eu tivesse dado atenção aos meus ocasionais problemas estomacais, talvez isto não tivesse acontecido. Mas eu vacilei. Como eu disse - foi entusiasmo. E eu adoro esses caras. Devo confiar neles? Esta pergunta nunca entrou em minha mente. Então, uma série de eventos semana passada fizeram eu descobrir, ao lado da imprensa, que a banda, junto com seu empresário, já havia contratado outro vocalista, possivelmente três meses antes. Eu me pergunto como ELE se sentiu naquela noite do MTV Awards. Isto certamente explica por que naquela noite Edward parecia tão inconfortável quanto um cara que assinou um contrato com o Diabo. Eu não posso pensar num motivo pelo qual Edward mentiu para mim sobre minha cogitação como vocalista quando ele já havia contratado outro, e então me deixar aparecer na MTV sob a impressão que havia uma grande probabilidade de eu e o Van Halen estarmos nos reunindo. Como eu disse, eu lhe falei claramente que eu não queria participar do lance da MTV como uma banda, a menos que realmente fôssemos uma banda. E então eu peço desculpas aos meus fãs, aos que me apoiaram e à MTV. Eu fui um participante inconsciente nesta decepção. Me deixa doente o fato de a "reunião" vista na MTV não ter sido nada mais do que uma jogada de publicidade. Se eu sou culpado por qualquer coisa, eu sou culpado por rejeição. Eu quis acreditar nisto tanto quanto as outras pessoas. As pessoas que me conhecem sabem que trapaça nunca foi meu estilo. (David Lee Roth)
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Van Halen no MTV Awards 1996Entrevista da Revista:
Rock Brigade
Edição: 124 - Novembro/1996



Balançando as Misturas Mais Explosivas (1995)O Van Halen está de volta à estrada mais revitalizado que nunca. Seu novo álbum, Balance, traz um peso e ‘feeling’ que a banda já parecia ter perdido no tempo. Mas o melhor jeito de saber a quantas anda a banda é conversando diretamente com eles. Por isso, o baixista Michael Anthony nos atendeu por telefone, em meados de abril, esbanjando bom-humor e falando sobre a nova fase do grupo, que, atualmente, está livre dos efeitos maléficos do álcool.

Rock Brigade: Balance é um álbum muito bem construído. Como está o pique do Van Halen hoje?
 

Mike: Quando entramos em estúdio para gravar um álbum, nunca sabemos direito o que vamos fazer. Não compomos tudo bonitinho antes de irmos para o estúdio, a maioria das idéias pintam ou são lapidadas lã dentro. Nunca delineamos que caminhos vamos seguir, as músicas fluem, literalmente, com a maior espontaneidade possível. A idéia de colocar uma música com piano, por exemplo, só pintou depois de iniciadas as gravações.
 
Rock Brigade: Existe algum significado especial neste título, Balance?
 

Mike: Essa é outra característica nossa: raramente batizamos um álbum antes que ele esteja terminado. Tivemos muitas idéias para título, mas nenhuma nos satisfazia. Foi então que encontramos um artista especializado em computação gráfica que veio com aquela bela foto para a capa. O interessante é que ela parecia realmente representar o trabalho que havíamos gravado, ou seja, havia um balanço [‘balance’] naquela ilustração. É o equilíbrio da vida, o bem e o mal. No entanto, cada pessoa pode interpretá-la à sua maneira.
 
Rock Brigade: Vocês tiveram problemas por essa capa ser considerada "chocante" demais?
 

Mike: Sim, no Japão, as pessoas ficaram revoltadas por estarmos retratando uma deformidade humana. Eles odeiam encarar qualquer tipo de deformidade. Só pra se ter uma idéia, a capa da versão japonesa de Balance saiu com apenas uma criança na ilustração. Tivemos que tirar a outra com computador! Infelizmente, as pessoas ainda criam controvérsias com essas bobagens. Nossa intenção não era chocar, mas mostrar como precisamos lutar contra nossos próprios demônios para sobrevivermos. É quase como uma espécie de carma. O mais triste é quando temos que ceder um pouco, que foi o que fizemos ao tirar uma das crianças da ilustração.
 
Rock Brigade: E vocês já tinham tido problemas antes, quando um fã foi preso por estar usando uma camiseta com o nome do seu álbum anterior, F.U.C.K...
 

Mike: É, eu lembro bem desse fato. Era uma cidade do interior e o cara estava indo para um restaurante usando uma camiseta com a capa do nosso álbum quando foi preso. Fizemos questão de pagar um advogado para defender o cara. Felizmente, tudo correu bem e ele foi solto.
 
Rock Brigade: Os fãs do Van Halen sempre foram muito exigentes. Já deu pra sentir a receptividade deles em relação a Balance?
 

Mike: Em sua essência, Balance é um álbum "puxado" pela guitarra e os fãs antigos do Van Halen sempre adoraram isso. É quase como se estivéssemos resgatando a intensidade de nossos trabalhos antigos. Além disso, está acontecendo um coisa muito interessante: os fãs mais antigos estão trazendo seus filhos para ver nosso show.
 
Rock Brigade: Você não acha que o vídeo de Don´t Tell Me é violento demais?
 

Mike: Não, de forma alguma. Estamos apenas mostrando coisas que realmente acontecem! Você já viu esse vídeo na MTV aí do Brasil?
 
Rock Brigade: Sim
 

Mike: Pois aquelas cenas são todas reais, são das cadeias de Los Angeles! Havia apenas um ator que fazia uma espécie de personagem no vídeo. O resto é real. Todas aquelas pessoas feridas são reais, não é maquiagem! É algo que faz parte do dia-a-dia de Los Angeles.Rock Brigade: As pessoas têm reclamado deste vídeo, como reclamaram da capa do álbum?
 

Mike: Não. Acho que, pelo menos aqui nos EUA, a maior surpresa deste vídeo é que ele está fora de nossos padrões habituais.
 
Rock Brigade: As bandas de rock sempre tiveram problemas com malucos que cometem atrocidades e dizem que se "inspiram" ouvindo determinado grupo. Isso já aconteceu com Ozzy Osbourne, AC/DC e Judas Priest. Você acha que o rock realmente pode ser responsabilizado por atos violentos?
 

Mike: Certamente que não! Se alguém mata uma pessoa, não se pode responsabilizar a música de uma banda por isso. É absurdo. Mas particularmente, nós nunca tivemos esse problema.
 
Rock Brigade: Talvez porque as letras do Van Halen sempre foram bem "açucaradas"...
 

Mike: Antigamente, só escrevíamos sobre festas, mulheres e sexo. Depois que Sammy [Hagar, vocalista] entrou e começou a compor letras também, as coisas mudaram bastante. Ele adora escrever sobre experiências pessoais de vida sem "maquiar" nada. Sammy narra a realidade nua e crua, pois ele já viveu tudo sobre o que escreve. Hoje em dia, nossas letras são mais sérias do que antes.
 
Rock Brigade: Seria o caso de The Seventh Seal e Deja-Vu, desse álbum novo?

Mike: Exatamente. Você pegou o espírito da coisa!

 
Rock Brigade: As performances do Van Halen ao vivo sempre se caracterizaram pela energia, pois vocês pulam e correm no palco o tempo todo. Que tipo de cuidados vocês tomam com a saúde para ter esse fôlego todo?
 

Mike: [rindo] Nós nos cuidamos bastante. Não somos o tipo de banda que sobe num palco pra ficar tocando parada, que nem estátuas. Sei que não vou ficar pulando que nem um maluco a vida inteira... [risos] mas gostamos de subir num palco e dar 100% de nós para a platéia que pagou para nos ver.
 
Rock Brigade: Vocês ainda bebem muito?
 

Mike: Esse é nosso primeiro trabalho desde que Eddie [Van Halen, guitarrista] parou de beber, há cerca de oito meses. Ele está na melhor forma de sua vida, nunca o vi tocar com tanto gosto! Alex [Van Halen, baterista, irmão de Eddie] já não bebe há mais de oito anos. Eu e Sammy somos os únicos que ainda bebemos, mas é muito pouco, só "socialmente". A música é a coisa mais importante do mundo para nós, por isso, não vamos deixar que nada extramusical afete negativamente nosso trabalho ou nos impeça de dar 100% de nós mesmos num show.
 
Rock Brigade: No início dos anos 80, vocês tocaram no Brasil, ainda com David Lee Roth no vocal. Você lembra desses shows?
 

Mike: Eu lembro que a platéia era muito louca e que o clima do Brasil é maravilhoso! Nós até falamos com nosso empresário para tentar marcar uns shows no Brasil. Talvez role algo no início do próximo ano, em um daqueles festivais gigantes que vocês têm aí no Brasil. Queremos tocar aí de novo! Já esperamos demais, pô! [risos]
 
Rock Brigade: Especula-se que vocês venham para o Monsters of Rock brasileiro, em agosto, ao lado de Ozzy...
 

Mike: Seria uma possibilidade maravilhosa. Vou consultar nosso empresário a respeito.
 
Rock Brigade: Aliás, seu atual empresário, Ray Daniels, está há pouco tempo com vocês, certo?
 

Mike: Exato. Ainda estamos tentando entrar em sintonia com Ray, desde que ele substituiu nosso antigo empresário, que cuidava de nossos negócios há anos e morreu durante nossa última tour.
 
Rock Brigade: Recentemente, Eddie Van Halen foi preso num aeroporto de San Francisco por porte ilegal de arma. Como isso aconteceu?
 

Mike: [rindo] Foi uma bobagem. Quando estamos em turnê, temos um avião particular que facilita nossa locomoção. E Eddie costuma andar armado, pois existem muitos malucos por aí que perseguem artistas e coisas do tipo. Ele guardou a arma em sua bagagem, como sempre faz, mas, daquela vez, não íamos em nosso avião. A segurança do aeroporto detectou a arma e o prendeu. Eles aplicaram-lhe uma multa [de 900 dólares] e o liberaram. Ele não chegou a ser preso.Entrevista da Revista:
Rock Brigade
Edição: 106 - Maio/1995

 
Van Halen de Mãos Limpas (1995)Quatro anos depois do último trabalho com material inédito, Edward Van Halen, à frente do seu Van Halen, reaparece com Balance, um disco pesado que segue a mesma linha dos trabalhos anteriores. O equilíbrio perfeito entre canções que soam como um furacão e baladas bem elaboradas mostram que sonoramente o Van Halen não mudou. Em compensação, o novo visual mais sóbrio de Eddie com os cabelos cortados e um cavanhaque cerrado revela uma nova fase na vida de um dos maiores guitarristas da história do rock.

 
Sentado no seu legendário estúdio 5150 no topo de uma colina do Vale San Francisco, na Califórnia, uma mistura de paraíso para músicos e técnicos de som e parque de diversões onde máquinas de videogames estão espalhadas por todos os cantos, Eddie Van Halen recebe a imprensa do mundo todo e exibe com sobriedade seus 40 anos completados em janeiro. Com uma fala mansa e uma coragem impressionante para expor seus problemas mais íntimos, Eddie exibe uma maturidade inédita no seu comportamento desde seus últimos contatos com jornalistas. O seu currículo traz, além do título de um dos maiores guitarristas da história do rock e inventor de uma técnica única e inigualável, problemas sérios com o álcool, que incluem várias internações por bebedeira. A última foi há quase um ano na clínica Betty Ford, famosa por livrar várias estrelas do rock das drogas e do álcool. Desde então Edward Van Halen não é mais a mesma pessoa. A morte do empresário e amigo Ed Leffler, o alto risco da banda se desfazer devido aos seus porres constantes e principalmente o crescimento do filho Wolfgang, de 4 anos, o fizeram repensar toda a sua vida. "Um jornalista europeu me perguntou por que havia cortado o cabelo e eu respondi que havia simplesmente perdido uma aposta num jogo de golfe. Eu menti. Na verdade, no meio de todos os problemas que estava vivendo, um dia eu me levantei no meio de uma conversa com o empresário do Aerosmith, Tim Collins, fui até o banheiro e zerei a minha cabeça. 


Na hora eu parecia uma vítima de Auschwitz. Pensava que tudo de ruim que existia na minha vida estava ali na minha cabeça e mudei a minha vida naquele gesto. Eu estava frustrado, de saco cheio e não sabia o que fazer", revelou a um repórter da revista Rolling Stone.
 
Desde então Eddie parou de beber e passou a se dedicar à família. Se transformou num pai exemplar que, quando não está em turnê, acorda todos os dias às seis da manhã para levar o filho ao colégio e apara pessoalmente a grama de seu campo de golfe na mansão Van Halen. O resto do tempo passa no estúdio tocando guitarra com seus amplificadores aos berros e tomando algumas garrafas de cerveja. Não alcoólicas, é claro.

 
Com uma dessas garrafas na mão, Eddie continua a responder as perguntas dos jornalistas e agora anda de um lado para o outro. Parece ter mesmo dado fim ao alcoolismo. Ou pelo menos deu um grande passo para isso. Tem consciência do tamanho do seu problema e assume abertamente que é um dependente do álcool. "Eu sou um alcoólatra e tinha de parar de beber. O meu alcoolismo chegou num ponto que eu bebia apenas para ficar bêbado e queria ficar embriagado o tempo todo. Só parava de beber quando ia dormir. Minha produção musical inclusive estava totalmente ligada ao álcool."

 
Hoje, quando toca guitarra sóbrio, Eddie diz se sentir meio estranho e está penando para se acostumar com isso. Afinal, são 28 anos de vício. "Eu sou um pouco tímido e a bebida sempre funcionou como uma espécie de droga milagrosa que me deixava mais calmo, principalmente quando estava na frente do público. Não interessa se eu tocava para uma ou para 100 mil pessoas."Ao contrário de outros artistas que começam a beber quando caem na estrada, Eddie foi introduzido ao álcool pelos pais quando tinha 12 anos de idade. "Eu me lembro que quando ficava nervoso meu pai me dava uma dose de vodca e eu me acalmava. Isso acabou virando uma constante na minha vida. O álcool virou uma condição para tudo que eu fazia. Desde compor até me relacionar com a minha mulher."

 
Nas gravações de Balance, Eddie estava no começo da sua reabilitação e gravou praticamente o disco inteiro sóbrio. Isso acabou lhe dando uma nova ótica sobre o seu trabalho. Ele confessa que desta vez tinha a noção exata sobre a sua atuação e percebia o que realmente era bom ou ruim. 


"Em Balance eu bebi muito pouco. Algumas passagens ficavam exageradas e resolvia fazer de novo. Nos discos anteriores, só de cerveja eu chegava a entornar umas quinze garrafas por dia."
Tocado pelo álcool ou não, Balance foi o primeiro disco que o Van Halen abriu a produção para um cara de fora da banda. O produtor Bruce Fairbairn, conhecido pelo trabalho com o Aerosmith, foi quem dessa vez tomou as rédeas do disco, dava palpites e chegava a interferir em riffs, arranjos e até em solos de guitarra.

 
O resultado agradou muito a banda, que no início das gravações tinha músicas em excesso e não sabia muito bem o que fazer com elas. "Acho que queríamos alguém que nos desse uma dura. Se não tivéssemos trabalhado com Bruce, provavelmente estaríamos no estúdio até agora e certamente não excursionaríamos em 1995", conta o vocalista Sammy Hagar. "Tínhamos mais de vinte músicas e todas eram enormes. Então o Bruce brincou e nos perguntou se a idéia era gravar um CD duplo. Aí partes foram limadas, músicas inteiras eliminadas e nessa confusão surgiu a instrumental ‘Baluchitherium’. A música estava sem vocais e decidimos que ela ficaria assim mesmo. O resultado já era excelente", completa Eddie, empolgado.

 
"Baluchitherium" é o nome de um dinossauro e virou o título da canção por sugestão da mulher de Eddie, Valerie Bertinelli. Ela ouviu a canção nos ensaios e achou que a música soava grande e forte como um animal pré-histórico. "Não é a primeira vez que ela dá palpites. Gostamos disso", conta Eddie, com ar de marido orgulhoso.

 
Além de mulher de rockstar, Valerie é atriz e está casada com Eddie há quatorze anos. Ela segurou todas as barras na época em que o marido vivia em meio às garrafas e confessa que estava exausta da situação. "Eddie é um cara de coração grande, um amor de pessoa, mas se ele não parasse de beber provavelmente eu não estaria mais aqui. Quatorze anos ao lado de um alcoólatra é o meu limite", desabafou à revista Rolling Stone.

 
O papo com os jornalistas se transforma numa audição de Balance e subitamente quando o CD rolava no talo, Eddie interrompe a execução do disco e intervém: "Outro dia cheguei à conclusão que este disco foi feito para se ouvir no carro. Soa muito melhor". Minutos mais tarde, Eddie e um jornalista da revista Guitar Player estavam dentro do Mercedes da família Van Halen, com o som extremamente alto. A imagem que se tem de fora do carro é a de Eddie sentado no banco do carona, de olhos fechados e com a cabeça confortavelmente recostada no banco. O sorriso que estampa o seu semblante deixa bem clara a sua satisfação com o novo trabalho. A empolgação e a alegria de Eddie parecem ter sido a mesma do público que assim que Balance saiu em fevereiro catapultou o disco para o primeiro lugar na parada da revista Billboard. Atualmente Balance transita entre o terceiro e quinto lugares da parada.

 
Ocupar o topo das paradas, aliás, não é novidade para o Van Halen. Desde 1985 quando foi lançado o álbum 5150, que marcou a entrada do vocalista Sammy Hagar, substituindo o hoje decadente David Lee Roth, a banda não vende menos de 5 milhões de cópias por álbum. 

 
As vendas sempre foram puxadas por hits como "Love Walks In", em 5150 ou "Right Now", em For Unlawful Carnal Knowledge e grandes turnês mundiais. A turnê de Balance começou em março e vai correr aproximadamente 2 milhões de quilômetros ao redor do mundo e, segundo a gravadora, deve passar pelo Brasil no segundo semestre.

 
A postura mais madura de Eddie e consequentemente da própria banda, parece não ter mudado a atitude dos caras no palco. A mudança de imagem e um posicionamento mais sóbrio, aliás, são questões que não preocupam o Van Halen. Segundo Eddie, não há problema em ser um cara mais careta ao mesmo tempo que um astro do rock. "O estereótipo do roqueiro drogado está ultrapassado, principalmente depois do suicídio de Kurt Cobain. Acho que o problema dele foi exclusivamente com as drogas. Foi terrível o que aconteceu com ele. O que Kurt tinha de melhor é que as músicas dele vinham realmente de dentro. Não acredito que ele tenha se matado por causa do sucesso. Se foi mesmo por isso, ele foi tarde demais. A minha nova maneira de encarar a vida não vai interferir em nada na minha música."

 
Uma boa prova de que as palavras de Eddie parecem verdadeiras é a sua opinião a respeito dos Unpluggeds. Um caminho que seria previsível nesta fase mais madura. "Eu não sou o tipo de cara acústico. Gosto mesmo é de tocar alto".Entrevista da Revista:
Revista Bizz
Edição: 118 - Maio/1995


Van Halen: Right Now !!! (1993)É o primeiro álbum ao vivo do Van Halen nestes 13 anos de carreira e foi lançado justamente quando o grupo comemorava o aniversário de lançamento de seu primeiro disco, dia 23 de fevereiro último. Uma ocasião histórica como essa merecia mais do que uma simples entrevista. Por isso, aqui vai um super papo da Rock Brigade com todos os integrantes do grupo !

 
O Van Halen sempre se destacou pelas apresentações ao vivo por isso ganhou a fama de 'live band' desde que começou a fazer seus primeiros shows nos pequenos clubes do sudeste da Califórnia, em meados dos anos 70. As apresentações no Whiskey, no Roxy ou qualquer outro clube eram muito disputadas pela legião de fãs que começava a se formar.

 
VELHOS TEMPOS
 

"Aqueles dias foram inesquecíveis" - lembra o baixista Michael Anthony iniciando a conversa. "Tocávamos num salão pequeno, com apenas um amplificador, espremidos num palco minúsculo e abarrotado de gente na platéia. Saímos de lá para, literalmente, explodir".
 
O inegável sucesso do grupo pelo mundo suscitou uma constante pergunta: por que nunca lançou um disco ao vivo ? A resposta está na ponta da língua deste herói da guitarra chamado Eddie Van Halen: "As pessoas já nos fazem esta pergunta desde que lançamos nosso primeiro disco. Sempre pedíamos para nos darem um tempo para fazer a coisa direito. Só começamos realmente a gravar os shows depois que Sammy [Hagar, vocal] entrou na banda. Mas, só decidimos lançar este disco ao vivo depois que eu e Alex [baterista] fomos mixar um show da tour do For Unlawful Carnal Knowledge para um programa de rádio. Ficamos tão surpresos com o que ouvimos, que decidimos mexer nos arquivos de gravações feitas entre 86 e 88 para ver o que havia de bom. Acabamos decidindo colocar tudo num disco ao vivo, pois nos pareceu a hora certa, já que nossos fãs há muito ansiavam por isso".

 
A GRANDE BUSCA
 

Eles ficaram de junho de 92 até janeiro de 93 ouvindo e selecionando tapes de shows das turnês dos álbuns 5150, OU812 e FUCK. "Percorremos alguns quilômetros de fitas gravadas em shows de 86 até 91" - comenta o vocalista Sammy Hagar. Na verdade, a banda gravou no máximo 20 apresentações de cada uma destas turnês. Michael Anthony explica o processo de seleção: 

"Procuramos escolher performances mágicas que representavam o espírito verdadeiro de todas as músicas que escrevemos ao longo destes 15 anos".
 
"Depois de iniciado o processo de mixagem, percebemos que precisávamos de ouvidos treinados para nos auxiliar" - lembra Alex Van Halen. "Por isso, mais uma vez procuramos a ajuda do produtor Andy Johns". Andy já trabalhou com o grupo em seu último trabalho antes deste ao vivo, e também é conhecido por produzir nomes do porte do Led Zeppelin, Rolling Stones, Rod Stewart e Ozzy Osbourne. O resultado desta união está em 142 minutos e 24 músicas do Van Halen tocando ao vivo. A qualidade você sente em todas as nuances de cada nota desta gravação, o que, aliás, era o objetivo de todos desde o início.

 
"Nós deixamos as músicas intactas, não mexemos em nada. Há muito improviso e espontaneidade" - garante Eddie.

 
UM GRANDE SHOW
 

Em Right Here, Right Now, todo mundo deu o melhor de si em cada música. Até Michael Anthony ("Com seu alter ego, Jack Daniels" - brinca Sammy) teve sua chance em Ultra Bass, onde arrasa no uso de efeitos. Sua participação também é bastante ativa em Saturday Afternoon in the Park, do LP Fair Warning. Alex Van Halen mostra sua garra em Pleasure Dome/Drum Solo e na inconfundível introdução de Hot For Teacher. Mesmo Sammy Hagar deu seu solinho, pois ele detona na versão só para voz de Give To Live, de seu disco solo homônimo. E por fim, certamente que não poderia faltar o solo em 316, provando que ainda é um dos maiores e mais influentes guitarristas da atualidade. Esta é só para dar o gostinho do que ele é capaz de fazer, o que você também comprova em músicas tipo Eruption, Spanish Fly, Cathedral, entre outras.
 
Depois deste orgasmo auditivo, a gente fica se perguntando se falta alguma coisa para ser ouvida. Aí os caras atacam com clássicos do primeiro álbum, como Ain't Talking Bout Love e You Really Got Me, para em seguida virem de Jump e Panama, do álbum 1984. Estas são os hits que tocam da era pré-Sammy Hagar e, mesmo sem David Lee Roth no vocal, o "novo" vocalista faz justiça ao passado destes clássicos. Em seguida, vem uma avalanche de hits dos últimos 3 trabalhos do grupo, inclusive com uma mostra do velho Sammy Hagar na faixa One Way to Rock, que a anda toca desde o primeiro show deste vocalista no Van Halen, no 'Farm-Aid' de meados da década de 80.


MUITOS PRÊMIOS

Além de ser um ano de muito trabalho para o Van Halen, 92 esteve recheado de prêmios para o grupo. Ganharam o Grammy de 'Melhor Performance Hard Rock', o American Music Awards de 'Melhor Disco de Heavy Metal/Hard Rock' e o Second Annual Billboard de 'Top Album de Artista de Rock'. No MTV Music Awards, a banda recebeu o prêmio de 'Vídeo do Ano', 'Melhor Diretor' e 'Melhor Editor' com o controverso clip de Right Now.

Vamos ser ousados: o Van Halen é uma Banda com "B" maiúsculo e no sentido mais puro desta palavra. Todos trabalham juntos em todas as facetas que envolvem o grupo, um sentido de cooperação e democracia que faz deste um dos maiores conjuntos de rock do mundo.

"Para criar, um músico precisa experimentar sempre novos sons e novas idéias sem nenhum tipo de inibição" - diz Alex. "A diferença entre o Van Halen e outras bandas está no sangue. Eddie e eu somos irmãos; com Sammy e Mike, nos tornamos todos irmãos. Como em uma família, a verdade e a honestidade são alicerces que sustentam a liberdade de expressão do grupo". BOA MEMÓRIA
 

O mais interessante é que o Van Halen nunca esquece quem apoiou a banda em sua carreira, sejam as pessoas dos pequenos clubes ou os executivos de multinacionais. Sobre o assunto, quem fala é Sammy: "Nunca perdemos o contato com as pessoas com quem já tocamos. Nunca esquecemos como é divertido estar num pequeno clube e tocar bem perto das pessoas. E por essa razão que abrimos nosso próprio clube na Califórnia, o Cabo Wabo Cantina". Quando eles têm uma folguinha, viajam para lá e fazem uma jam para uns poucos privilegiados. "Afinal, a música é nossa vida" - diz Eddie, para em seguida lembrar que, além do clube, ele e Sammy também produzem outras bandas.
 
Sem dúvida, o Van Halen parece viver para tocar, o que fica mais claro nas palavras de Eddie: "Nós adoramos fazer tours, nós crescemos com este estilo de vida, por isso, adoro ver o mundo como meu lar". E o vocalista Sammy vai mais além: "Estar num palco é como estar no céu. Nada se compara a esta sensação".

 
FUTURO PRÓXIMO
 

Eles estão sempre em casa quando estão num palco, seja de uma arena ou de um pequeno 'rock club'. Por isso, para esquentar as turbinas para esta nova turnê que inicia em abril, o grupo fez alguns shows no Whiskey Club, de Los Angeles, e depois seguiu para 5 semanas na Europa para, na volta, fazer uma tour de arenas pelos EUA em junho e julho. "Se não formos para Austrália e Japão, vamos começar a gravar um novo disco em outubro" - diz Eddie, provando definitivamente que eles realmente não conhecem nenhum outro modo de viver.
 
Para quem está aspirando a carreira de guitarrista, aconselhamos ficar ligado nas próximas edições da ROCK BRIGADE, especialmente na seção 'Guitar Insight', pois teremos um papo mais técnico com Eddie Van Halen. Por enquanto, relaxe e curta este showzão!
 

Entrevista da Revista:
Rock Brigade
Edição: 81 - Abril/1993

 
Colaboração: Érico Salutti, Pedro Yuri.

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